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The Handmaid’s Tale e Black Mirror

The Handmaid's Tale e Black Mirror

The Handmaid’s Tale e Black Mirror são mais do que puro entretenimento, acho até que elas passam longe disso!

Comecei a assistir The Handmaid’s Tale sabendo que era uma série intensa e tão densa quanto Black Mirror. As duas são muito comparadas, dizem que se você digeriu uma, vai gostar da outra.

Não sou de dar spoilers nas minhas resenhas de série e seguirei assim. Mas, deixo um aviso de gatilho (Trigger Warning). As séries mostram cenas de violência, humilhação, suicídio, assassinato, estupro e racismo.

Recomendo que você só assista se esses gatilhos não te afetarem de forma alguma. As séries são muito pesadas para pessoas que já viveram algo similar ou que podem ter emoções a partir dessas cenas.

As duas séries não tem nada em comum, na forma narrativa e nos formatos. Mas, as duas dão um nó no estômago e na cabeça de quem assiste.

The Handmaid’s Tale e Black Mirror são distopias, que se aproximam MUITO da realidade.

Por isso causam interesse instantâneo e se tornaram sucesso de crítica. As duas séries foram as grandes vencedoras do Emmy 2017.

Black Mirror pega situações reais e eleva ao extremo do comportamento humano. Tudo isso me faz, enquanto o expectadora, questionar o que eu faria?

Black Mirror

O episódio The National Anthem, o primeiro da série, é chocante e dá náuseas. Ao saber que pode ter algo de verdade nele minhas tripas reviram em mim, reportagem: História envolvendo primeiro-ministro britânico e porco traz ‘Black Mirror’ para o mundo real.

Eu me recuso a postar fotos da cena chocante desse episódio de Black Mirror. Só de ver a imagem no Google Images me deu um arrepio de lembrar do episódio, um revirado no estômago. Não quero causar em vocês essa sensação.

Mas, esquecendo a bizarrice da reportagem e da cena, eu pergunto. Numa situação extrema, o que a sociedade espera que um homem, um primeiro ministro, faça? A primeira vista, que ele cumpra seu dever e seja o herói! Destruindo sua vida pessoal e sanidade…

Já The Handmaid’s Tale é uma ficção que se passa em um futuro próximo. Uma ficção que mostra o que o extremo das crenças e poder. Mostra a fé como pano de fundo para criar uma sociedade pura e nova a partir da segregação e subjugamento dos mais fracos. Nada diferente da realidade né?

The Handmaid’s Tale

Assim que assisti os primeiros episódios da série eu fiquei em choque. Em tempos de cura gay, extremismo de Trump, misoginia e intolerância religiosa que vivemos… A Coreia do Norte, gente! Gilead não é tão longe quanto parece!

A qualidade de fotografia, narrativa, elenco das séries nem precisa ser citada. Apesar dos temas pesados as séries tem uma construção que torna “digerível” um episódio de 50 minutos. As narrativas são rápidas, por isso cada episódio precisa de atenção aos detalhes e simbolismos.

Black Mirror eu não consegui assistir mais que um episódio por dia, às vezes, por semana. Já The Handmaid’s Tale terminei a primeira temporada em uma semana. Não por ser mais leve, mas por ser mais fácil digerir que é uma ficção de livro.

São séries que prendem nossa atenção e valem a reflexão depois por horas a fio.

3 In Empoderamento

Gilmore Girls: a série e o revival

Gilmore Girls: problematizando a série e o revival

Warning: Tem spoiler, de leve e sem detalhes, mas tem. Warning 2: é minha opinião aqui, tá?

Eu me empolguei com “A year in the life” e revi as 7 temporadas de uma só vez. Já emendei para ver os 4 episódios do revival de Gilmore Girls. Tudo seguidinho pra curtir e não perder nenhum detalhe.

Eu gostei muito da série quando era adolescente, tinha 12 anos quando a série estreou. Menina pobre, ligava a TV e sonhava em ser a Rory ou a Lorelai.

Era fácil olhar Rory e ver nela tudo o que eu queria ser e ver na Lorelai a “fodona” que um dia eu queria me tornar.

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Mas, depois de ver todas as temporadas e ver o boom de pessoas dizendo que a série era um exmplo a ser seguido. Que Rory e Lorelai são personal goals,”feministas?” e “empoderadoras?”

Eu não sei se consigo concordar… Mas, não vou ser injusta.

Gilmore Girls tem ótimas sacadas de roteiro, uma escrita precisa e diálogos bem executados. Com ironia, humor e referências legais pra quem curte nerdices.

É uma série gostosa de assistir e que coloca mulheres na pauta numa época que isso não era comum. É uma comédia  dramática completa, que aborda temas sem pesar o contexto. Fala de família, classe social, relacionamentos e vida em geral. Tem tudo que uma série precisa pra ser um sucesso.

Por isso é um sucesso!

gilmore girls

Assisti todas temporadas + revival e hoje não consigo mais ver Rory e Lorelai como “goals”. Na minha opinião, a série retrata esteriótipos e padrões, mas não os questiona.

Mesmo sendo muito querida em Stars Hollow, Lorelai é vista como promíscua, instável e a que “cada dia dorme com um”.

Na segunda ou terceira temporada uma vizinha fala pra outra quase isso dela e ainda chama Lorelai de “coitada”.

O esteriótipo da Paris, Lane e até de Sookie reforça o lado “negativo” delas serem como são, das escolhas que fazem e o que se tornam.

A série mostra mulheres livres, mas reforça a imagem de que se você for assim você vai ser a vadia, a fracassada, a frustrada, infeliz.

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O meu maior incômodo é TODO mundo achando que Rory e Lorelai são exemplos a serem seguidos!

Vou começar com a Lorelai que é egoísta e egocêntrica até o final. Veja bem, ela quer viver a vida do jeito dela certo? Ok, eu também quero ser mais egoísta ano que vem #meta.

Mas, ela passa por cima das pessoas sem se importar. Mesmo precisando da ajuda dessas mesmas pessoas no passado ou no futuro.

Observem como ela trata os vizinhos que ajudaram ela a criar a Rory. Como ela trata o Luke, como ela trata as pessoas em geral.

Nem a Mia, que adotou ela e a Rory bebê, recebe ligações ou visitas de consideração – mesmo sendo a dona do Independence Inn.

Tem vários momentos da série que Lorelai menospreza as pessoas e maltrada com um tom irônico. Típico das pessoas que fazem bullying e se acham certas.

gilmore girls revival-3Ela não se importa com ninguém que não seja ela ou a Rory. Quando a Rory pisa na bola ela mantém a menina num pedestal pro mundo. Mas, massacra a menina dentro de casa com o julgamento intrínseco do “isso não está certo”, mas ela fez a mesma coisa no passado.

Mesmo com a Sookie e Michel, Lorelai não tem a doação da amizade verdadeira, nem a troca de uma sociedade de negócios. Ela é mandona, não se importa com o problema dos amigos, a conversa sempre volta para os problemas dela. Lorelai ainda usa todos como seus empregados para satisfazer suas vontades…

Reparem que Lorelai não briga na série, tem cenas de discussão, mas o final é o mesmo. Todo mundo abaixa a cabeça pra ela, acata o que ela quer e no fundo eu acho que é por ela ser vitimista. Ou porque as pessoas vêem ela como “a problemática” vamos deixar ela feliz…

Tem uma cena em que o Taylor durante a assembléia expõe esse ponto de vista. Ele fala pra Lorelai que entende que a cidade foi bondosa e acolheu ela com a bebê. Diz que todos a tratam com muito amor e são orgulhosos dela e da Rory. Mas, que nem por isso ele vai ceder aos caprichos dela “como todo mundo”.

Sem contar que Lorelai mente o tempo todo, mais que omitir ela mente mesmo e rouba/furta coisas o tempo todo. Como se o mundo devesse isso a ela!

Na relação com os pais, Emily e Richard, é tenso falar de perdão, entendimento e etc.

Mas, eu penso que se Lorelai tivesse a liberdade que queria, com o dinheiro dos pais e seu comportamento, ela seria parte da Brigada de Vida e Morte. Rica, mimada e fanfarrona-maldosa.

gilmore girls

Agora Rory é um padrão distorcido ambulante e reproduz o comportamento da mãe o tempo todo.

Ela cresceu numa redoma de vidro de perfeição, sendo um padrão de referência. Acostumada a ser sempre a melhor garota da cidade, aplaudida e ajudada.

Quando isso muda ela se mostra como é: reprimida, mimada, egoísta e irresponsável.

Ela prova isso quando se apaixona pelo Logan e pelos benefícios que ele dá. Sempre envolvendo baladas caras, bebidas e muito dinheiro do pai dele sendo gasto.

A cena dela com o amigo entregador de pizza no restaurante caro. O Logan convida ela aceita mesmo tendo combinado outra coisa com o amigo. O Logan paga a conta dela e o amigo “pobre” conta moedas pra pagar. Ela nem se toca até ele falar, prova que ela, assim como a mãe, não pensa em ninguém. Ela até tenta demonstrar uma empatia, mas perde o amigo merecidamente!

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Em um jantar na casa da irmã do Luke ela não dá a mão para um homem porque ele não tem um dedo. Ela simplesmente não cumprimenta ele e olha com cara de nojo pra mãe dela…

Menina perfeita, mas sem educação, sem empatia: bolha!

Rory joga todas as ajudas que ela sempre recebeu no lixo quando decide parar a faculdade. Fato que só aconteceu porque alguém ousou dizer que ela não era perfeita.

O Pai do Logan que diz que ela não tem talento, depois dela estagiar pra ele!

Joga no lixo duas vezes, quando depois de 9 anos ela não tem emprego, dinheiro, casa e tem um caso com um cara comprometido – de novo Rory?

Rory tinha tudo pra ser muito bem sucedida e independente na vida, mas não é. Tudo o que conseguiu foi com ajuda de outras pessoas. Quando a hora a verdade chega ela volta pra casa da mãe sem conseguir se estabilizar na vida.

Oportunidade, estudo, preparo e dinheiro ela tinha. Faltou maturidade, objetivo e até um pouco de caráter ali viu? Faltou mesmo culhões pra fazer acontecer.

Ela nunca precisou ir além da sua obrigação de estudar e tirar boas notas para viver. Isso pra mim não é esforço, ligar pros avós e pedir dinheiro também não e ter boy rico pagando tudo (pensão) não é esforço mesmo!

Durante toda sua vida, Rory recebeu favores. Pra estudar, conseguir entrevistas, estágio/emprego e segue precisando pra ter onde comer, dormir, viver.

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Quando a vida real chegou, mesmo com o suporte financeiro do Logan, apoio e torcida de todo mundo, ela fracassa.

Fracassa, mas cospe em alguns pratos, viu? Porque as oportunidades têm que ser perfeitas para a Rory perfeita.

Olha aqui a profecia do diretor:

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Rory volta pra casa perdida, sem rumo e com o mesmo comportamento mimado da mãe, dá piti e faz várias besteiras seguidas.

Rory, no final, é uma ótima pessoa mas, fracassada.

Pra fechar o ciclo. Lorelai está com a vida “perfeita”. Tem o Luke que ama e lambe as botas dela, a Dragon Fly indo muito bem, mas ela começa a surtar. Porque? Porque não sabe o que quer da vida, se é ter filhos, comprar outra pousada, oficializar o casamento.

Já no luto de Richard vemos a Emily sofrendo do jeito dela, mas vai procurar dar sentido a vida. Arranja uma ocupação e adota/aceita a família da empregada.

Já Lorelai, não consegue passar por cima da mágoa, não consegue perdoar. Nem pra ajudar a mãe, nem citando uma memória boa do seu Pai.

Ela precisa dar piti, fazer papel de criança grande e só vai ligar pra Emily meses depois.

Os relacionamentos afetivos das duas sempre foram problemáticos. Eu acho que elas não sabiam “escolher”, entendem?

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Os namorados da Rory nunca estiveram no mesmo timing que ela, nem os da Lorelai. Os relacionamentos desandavam porque elas não sabiam mais o que queriam, enjoavam e pronto. Mesmo Lorelai com o Luke, vejam o surto dos últimos episódios.

Em alguma temporada lembro da Lorelai falando que queria que Rory fosse diferente dela.

Por isso é um choque quando nos últimos episódios a Rory aparece idêntica a Lorelai. Uma mulher adulta com atitude de criança.

As duas se encaixariam fácil na geração Mimmadium desse artigo – que é péssimo por generalizar, mas vale ler.

Não tô falando que a série é ruim, mas há muito o que questionar.

Tudo a respeito das Gilmore Girls é defeituosamente humano. Talvez por isso a gente entenda essa porrada na cara que foi o revival.

Tem algumas boas lições de moral escondidas nessa série de comédia dramática. Se você não captou assiste de novo que está lá! 😉

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Suits: tudo o que eu amo/odeio na série!

Suits é uma série de drama que envolve a vida de advogados e um escritório cheio de tramas, conspirações e jogos de poder.

Suits é produzida pela Universal Cable e distribuído* pela Usa Network que assina também: White Collar, Psych, Royal Pains, Burn Notice, Monk – e as maravilhosas séries: Law & Order e Mr. Robot.

*Passou a ser distribuído pelo Bravo em 2016.

A série começou a ser exibida em 2011 e está na 5° temporada – tem 4 disponiveis no Netflix BR.

Quero te contar o que eu amo e odeio em Suits, porque se você estiver na dúvida sobre assistir ou não essa série, eu posso te ajudar!

 

Séries de advogados são clichês e Suits não foge disso, os casos são repetitivos, os clientes e a narrativa de tribunal idem.

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Mas, o foco da série não são os casos do escritório e muito menos os viéses da lei.

A série fala de pessoas e suas relações consigo mesmos, com os outros, o trabalho, a ética, a sociedade e o dinheiro.

 

Suits tem personagens coerentes, humanamente e profissionalmente. Os advogados são babacas, arrogantes, manipuladores, choram, roubam, demonstram fraqueza de formas estranhas, acham que estão sempre certos e isso é tão humano quanto parte da profissão deles.

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A ética é questionada constantamente na série, assim como lealdade, amizade e o sentimento de ser família. Suits questiona esses valores com situações extremas, como fraude, dinheiro e amor.

A narrativa é direta ao ponto, mostra de cara o que a série quer mostrar. Mas, como toda série de drama tem uns romances bestas, que não levam a lugar nenhum e personagens chatos. Mas, faz parte da trama, para dar um pouco de leveza.

As mulheres da série são ótimas. Donna é fabulosa, Jessica rouba muitas cenas. Donna é fabulosa, vale repetir!

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Mesmo as mocinhas tipo Rachel Zane e a Scottie que entram mais pelo romance que por serem cruciais. Vale acompanhar as mudanças de Rachel, viu?

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O figurino é impecável! A mudança nas caracterizações, a medida que os personagens crescem, é sutil em relógios, jóias e cabelos, mas bem feita!

As frases de efeito com música crescente ao fundo são ruins. Mesmo quando Jéssica Pearson fala e sai da sala andando rápido e firme: clichê!

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Suits tem uma trilha sonora respeitável, aperta o play no Spotify para conferir:

Agora o júri pode tirar suas conclusões sobre Suits. Mas, se minha opinião não ficou clara aqui vai meu argumento final:

Suits é politicamente incorreto, não tem um herói convencional. Os personagens principais tem índoles questionáveis e ao mesmo tempo é fácil gostar deles.

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Não poderia esquecer do Louis Litt, melhor personagem para rir, chorar, odiar e amar! Sério, mesmo não sendo um galã, Louis rouba as cenas e cresce ao longo da série!

 

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Melhores expressões faciais!

Suits - Louis Litt

Suits é uma história fácil de acompanhar, mas que não deixa de ser instigante.  Não está entre as minhas séries favoritas, mas eu assisto uma temporada em 2 dias e até agora não fiquei desapontada com a série.