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Essencialismo

26 In Estilo de Vida

Como eu fiquei mais de 1 ano sem comprar roupas?

Um ano sem compras

Fiquei 1 ano sem comprar roupas e não sai por aí pelada, viu? Olha que eu nunca tive um closet abarrotado de roupas e sapatos. Mas, em um certo momento da minha vida eu fiz esse propósito e aprendi muitas coisas.

Gosto de contar que eu venho de uma família humilde, sofri muito bullying por não ter roupa, tênis, cadernos e etc… O bullying só não doía mais do que a falta, as vezes, da comida.

Consequência disso, minha auto estima nunca foi das melhores e minha visão do TER era associada a SER alguém mais bem vista, mais querida e mais aceita, com mais amigos.

Entre 2009 e 2010 minha vida passou por grandes mudanças e eu estava vivendo o luto do meu Pai e o aprendizado de toda uma fase de batalha pela vida e resgate dos laços familiares.

A situação financeira em casa havia melhorado, saímos do aluguel, eu estava trabalhando, entrei numa boa faculdade como bolsista e estava recebendo novas referências de vida.

Com novos ambientes, vieram novas cobranças (internas e externas) de adaptação, aceitação e, novamente, a sensação de SER menos que os outros.

Nesse novo cenário, uma encarada de cima a baixo fazia eu me sentir feia, pequena e pobre. De novo a sensação de não ser aceita e o bullying que rola solto nas empresas e faculdades, igual era na 5º série!

Foi aqui que eu tive minha fase Becky Bloom de Confessions of a Shopaholic, tive meu primeiro (e único) cartão da C&A com R$ 100 de limite e que, na época, dava pra fazer a festa com R$ 100!

Gastava como forma de preencher um vazio, me sentir aceita como parte de um grupo e não ser mais a menina pobre que usava roupas doadas de menino.

Isso não aumentou a minha auto estima, só aumentou minha cobrança interna, sofri, me endividei e por dentro eu ainda era a mesma menina favelada que se sentia menos do que os outros.

Em 2011, terminei um relação abusiva e violenta – com uma pessoa toda estudada, que zombava do meu “vender o almoço pra comer na janta”, mas todo mundo dizia ser um bom rapaz de futuro e que eu que não era boa o suficiente (olha o que a baixa auto estima me fez passar!).

Mas, 2011 foi o ano que eu caí na real e percebi que mais do que TER eu preciso SER! Nesse ano, pra organizar minha vida, comecei a exercer o consumo consciente e construir meu estilo de vida baseado nos meus valores.

Desde então tenho trabalhado minha auto-estima, conheci o minimalismo e mais recentemente a simplicidade voluntária.

Tudo isso me fez entender que para ficar 1 ano (pelo menos) sem compras eu precisava resgatar coisas de dentro de mim, entender meu estilo pessoal e principalmente as necessidades da minha vida.

Foi dessa etapa nebulosa que eu comecei a entender o que se tornaria meu lema: “mais caráter que roupa e mais atitude que riqueza”.

Já em 2012, com a vida financeira em ordem eu pude comprar as roupas que precisava para completar meu armário.

Fiz uma limpeza, arrumei o que tinha e vi o que precisava realmente.

Doei muitas roupas que não falavam nada sobre o meu estilo pessoal e não eram adequadas para minha vida, mas estavam boas para o uso.

começou a parte difícil: quando eu via algo lindo que poderia comprar, mas não precisava!

Com as contas em dia, eu sempre tinha uma sobra ali no banco, mas eu não precisava de nada. Com isso vem um pensamento sabotador, o merecimento: “Eu mereço. Eu trabalho tanto, as contas estão em dia e o preço tá tão bom…”

Esse pensamento ainda bate aqui, viu? Mas, minha forma de lidar com ele é: tendo um objetivo!

Comecei nesse ano, a construir objetivos de vida que eu nem sabia que seriam possíveis para mim. Em 2013 meu objetivo era viver esses sonhos.

Teve festa, viagem e muito perrengue para realizar meus sonhos sem nenhuma ajuda.

Ter um objetivo real para meu dinheiro é muito mais satisfatório do que comprar roupas ou qualquer outra coisa, mas exige dedicação e foco.

Posso dizer que desde 2013 eu não comprei mais roupas como forma de preencher nada, sigo com as finanças organizadas, realizei sonhos que eu nem sabia que poderia ter.

Aprendi a me vestir melhor com as roupas que tenho – não andei pelada e fui aumentando a quantidade de peças de acordo com a necessidade.

Hoje quando preciso comprar roupas eu faço consciente de que roupa não dá sentido à vida 🙂

[Tweet “roupa não dá sentido à vida :)”]

Já parou pra pensar que aquele curso de inglês, a reforma da casa ou até a entrada de um carro pode começar com a simples decisão de não comprar roupas (ou coisas) que você não precisa?

Minhas motivações depois de 2013 foram: viagens, uma casa, carro, minha mãe, poder dar suporte as causas que eu acredito…

Cada dia a motivação se renova, mesmo quando bate aquela vontadinha de comprar algo desnecessário eu penso 2 vezes e na 3º eu já desisto.

Se tornou meu estilo de vida, não é um projeto que vai acabar e eu voltar a ser como era.

Hoje eu compro menos, mas compro melhor. Compro roupas de maior qualidade, escolho peças que tem a ver com meu estilo e estou cada dia mais apaixonada pelas roupas que tenho 🙂

Se você está pensando em ficar um ano sem compras, tem muito post aqui que pode te ajudar a usar melhor as roupas que tem, dá uma olhada:

Mesmo vindo de uma realidade diferente, a Daniela Kopsch do Less is the New Black e a Jo Moura do Um Ano Sem Zara fizeram esse um ano sem compras. As duas se tornaram blogueiras de moda famosas por esse projeto, vale a pena conhecê-las.