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Cinema

4 In Estilo de Vida

Em ritmo de fuga

Em ritmo de fuga é o nome brasileiro para “Baby driver!”, um dos lançamentos desse mês no cinema.

 – Duas pautas de cinema seguidas porque eu além de amar cinema, eu tô dando muita sorte nos filmes esses tempos.

Só pelo título, já dá um preconceito-zinho, né? Uma versão musical de Velozes e Furiosos? Um filme de sessão da tarde?

Confesso que tenho pré-conceitos com filmes e livros. Mas, por sorte, eu sou sembre aberta para ser surpreendida. Já contei como o livro “A culpa é das estrelas” me surpreendeu e fez eu ir me matar de chorar no cinema?

Em ritmo de fuga é um mix de enredo leve, cenas de ação bem executadas e uma trilha sonora impecável!

Sim, trilha sonora impecável, que aliás estou ouvindo nesse momento e recomendo que vocês façam o mesmo! Clica aqui que tem a lista completa de músicas pra ouvir no Spotify ou Youtube!

Soma com a trilha uma direção de imagem e fotografia que trazem a gente pra dentro cena. São frames com um alinhamento na trilha que faz todo mundo bater os pés-zinhos e balançar a cabeça no ritmo da música.

 

em ritmo de fuga - baby driver

 

Nas cenas, as músicas são parte do diálogo narrativo. Precisa prestar atenção para pegar os “easter eggs”. Como por exemplo, a música dizendo “nenhum lugar para fugir, nenhum lugar para se esconder” quando Baby está preso no meio de uma negociação de armas, mais perdido que cego em tiroteio.

Essa é a pegada do filme, bem ritmado, sem excessos e que usa muito bem o poder do sincronismo para pegar nossa atenção por inteiro. A edição é perfeita nesse sentido, a cartela de cores é final dos anos 80, mas com ares de anos 70, sabem? Cores saturadas, figurino da vergonha que fica lindo nos personagens.

 

Em ritmo de Fuga - cenas

 

Atenção especial ao sincronismo de cores, ritmo e música da cena da lavanderia. Um filmão da porra camuflado em sessão da tarde, diria eu, a empolgada.

Mas, a verdade é que Ritmo de fuga tem uma coisa que eu amo em storytelling que é a força do anti-herói*. A história não é de gente boazinha, sofridinha e blá blá blá… Até tem um pano de fundo que nos faz ter identificação ali no contexto, mas é de gente com culhões, entende?

*Se você gosta de escrita pesquise sobre monomito pra entender como nascem os bons enredos de filme, livros, novelas e etc.

 Se isso não bastar o elenco vai te convencer. Sério! Temos atuações pontuais mas, muito bem colocadas em cada cena.

Kevin Spacey, o Doc, quando aparece dita a cadência “anti-herói” da trama, a gente não pega simpatia pelo personagem dele, mas quase… Já Jammie Fox, o Bats, eu amei odiar com força! Fecho com o Jon Hamm, o Buddy, eterno Dom Draper de Mad Men que é lindo tiozão e subiu na minha avaliação ao longo do filme.

Esses que citei nem são os protagonistas, tá?

O Baby driver, é Ansel Elgort, falei da culpa é das estrelas, né? Fofo, cara de bebê mesmo e atuação fofa também, você não pega oódio, nem amor, mas no final você gosta dele. Com um pouco menos de destaque no filme temos Lily James, a Cinderella, como Debora.

em ritmo de fuga - poster

 

O desfecho me agradou muito, muito! Como sigo uma política de SEM SPOILERS nas resenhas do blog eu deixo pra vocês assistirem, mas eu gostei da trama, enredo e narrativa do começo ao fim!

A trilha sonora foi construída como parte do enredo e narrativa do filme, por isso casam tão bem, indico a leitura dessa reportagem na Esquire onde o diretor e escritor do filme fala das referências musicais com detalhes.

Em ritmo de fuga prova que filmes de ação com um ritmo acelerado podem ser escritos com inteligência sem sacrificar emoções.

Deixo o link de uma resenha mezzo negativa sobre o filme do PopSugar pra dar o contra ponto, mas as avaliações no Rotten Tomatoes estão ~na média~:

em ritmo de fuga - baby driver - rotten tomatoes

5 In Estilo de Vida

Os meninos que enganavam nazistas

Os meninos que enganavam nazistas é a história real e autobiográfica dos irmãos judeus Joseph e Maurice.

Essa é a segunda versão em longa metragem do best seller “Un Sac de Billes”. Lançada quarenta anos depois da primeira adaptação do livro de Joseph Jollo.

O filme tem atores excelentes, especialmente os protagonistas de 17 e 12 anos de idade. Não é um relato excessivamente melodramático de uma história que é emotiva por si só.

A profundidade emocional que eu vou descrever aqui tem mais a ver com a minha experiência pessoal.

Gosto que o peso do filme está mais na visão de vida que um menino de 10 anos tinha, do que na “aventura” dos dois irmãos.

Os meninos que enganavam nazistas é um retrato maduro e equilibrado também da sensação de perda inerente aquele momento tenebroso da sociedade. e como pano de fundo fundamental temos valores como fé, esperança e caráter em meio a sobrevivência da ocupação nazista.

É um filme difícil de assistir tendo em mente que muitas famílias viveram aquilo na pele, mas ao mesmo tempo o filme mantém uma inocência e vulnerabilidade incrivelmente tocantes.

Isso que amo no cinema e na vida! Nossa experiência pessoal e abertura é que ditam o tom do que nos puxa o coração e as lições que vamos tirar.

Podemos ver esse filme, como uma fórmula padrão ao tema do nazismo: o cruel oficial alemão, o lutador da resistência e o odioso colaborador francês. Ou como, uma lição de vida real, de seres humanos que viveram aqueles momentos e crescer, um pouquinho, com a história.

É um filme pra assistir com o coração e a mente abertos para tomar muita porrada, viu?

A narração de Joseph começa em 1941 e conta com preciosismo como ele, aos 10 anos e Maurice, aos 12, sobreviveram sozinhos ao período mais brutal do nazismo na França. O filme é fiel ao livro e ao sentimento que o caçula dos irmãos relatou no seu texto intenso e terno ao mesmo tempo.

É um filme sensível com uma fotografia que foca não no terror da guerra, mas na visão de uma criança de 10 anos. As imagens com efeito lomográfico são ricas em cores sem perder o ar vintage e até nostálgico. Tanta sensibilidade não se perde ou diminui os momentos de retratar o que foi o pior da humanidade naqueles dias tão hostis.

Os diálogos em francês e alemão me deram uma sensação de dualidade de sentimentos, que imagino que Joseph e Maurice viviam. A maior parte das falas são em francês, a língua falada na casa dos Joffo e que soa mais doce mesmo, maternal. Já as falas em alemão, são duras, ríspidas e secas como as agressões sofridas pelos dois.

No último ano convivi com dois chefes franceses e um colega alemão que associei com essa dualidade. Ludovic e Stephan falando em francês, com o tom sempre charmoso me remetiam a algo leve. Mesmo em meio a acaloradas discussões, o francês me parece doce. O Harald é o alemão mais fofo que conheci na vida. Quando ele falava em alemão, a dureza da fonética parecia que não combinava com a sua personalidade bonachona. Entendem?

Apaixonada por línguas que sou, mergulhei nos diálogos e por quase duas horas não me mexi na poltrona de tanto encantamento. Precisei segurar, um pouqinho, as lágrimas também.

os meninos que enganavam nazistas dr rozen

“Se continuar lutando, segurando assim a vida em sua mão, você conseguirá.”

Mais do que uma narrativa verídica de fatos que nós, humanidade, não devíamos nunca deixar acontecer, a história d’Os meninos que enganavam nazistas fala dos principais valores que um ser humano deve manter em si.

Não é um filme fofo, a gente está ali vendo na telona um sofrimento sobre-humano que duas crianças viveram, de verdade. Mas, essas duas crianças mantiveram sentimentos e valores tão nobres que me engasga.

Muito homem feito, por bem menos, se corrompe.

Uma das porradas mais fortes que a história me deu foi o questionamento do quanto a sorte ou destino está nas nossas mãos. O quanto escolhemos fazer, ou não, o que é certo em meio ao sofrimento é o que determina a nossa vida e a do próximo. Por menor que seja a nossa ação ela pode ser responsável pela vida ou morte de alguém.

Essa escolha e responsabilidade naquele tempo de guerra, mostra ainda além. Mostra que se manter fiel ao caráter e fazer o que é certo (ou não) é também assumir as consequências disso até o final.

Atenção especial à história do Doutor Rozen e da família Mancelier, que cruzaram a vida dos meninos em situações distintas, mas igualmente marcantes.

Essa história traz uma lição forte sobre ser família, sobre o sentimento genuíno de lealdade aos que dividem a vida conosco. No relato gentil dos ensinamentos do seu pai Roman, mesmo duros e sofridos, Joseph mostra o que é ser família na provação do sofrimento.

São duas crianças não perderam de vista os valores morais, o caráter, a fé e a esperança mesmo que sobrevivendo só de lembranças de casa, da memória do avô e da vontade verdadeira de se reencontrar e de viver.

Tudo isso em meio aos sofrimentos dos mais sombrio que o ser humano possa ser submetido.

Nas cenas finais eu tive um banho de ternura que me fez soltar um sorriso largo, ali no fundo do cinema, cheio de esperança. O que tornou o final do filme feliz, mesmo que não seja o final feliz perfeito. Afinal, é um filme baseado em fatos reais e não um conto de fadas.

os meninos que enganavam nazistas - rotten tomatoes

 

O filme estreia dia 03 de Agosto e merece ser visto, a avaliação no Rotten Tomatoes é de 90%, um score alto de avaliações positivas.

Paris Filmes, obrigada pelo convite <3

2 In Estilo de Vida

Antes que eu Vá

Antes que eu vá - filme

Eu faço mais reviews de série aqui no blog e deixo pra falar de filmes no stories do Instagram.

Mas, quando contei que eu fui convidada pela Paris Filmes para assistir a pré estreia exclusiva de Antes que eu vá – Before I fall – muita gente se interessou. Então, eis aqui minha resenha sem spoiler, como prometido!

O filme é baseado no livro de Lauren Oliver, autora de livros-novelas para young adults, categoria essa que eu não sou fã, mas até leio pra me distrair.

Mas, o diferencial da Lauren, próximo até do John Green, é que ela escreve uma novela com dramas reais, nada forçado, nem pesado demais. É um texto que te envolve, emociona e até dá pra tirar umas reflexões bacanas no final.

O melhor resumo do filme é que ele é uma mistura de Dia da Marmota com a pegada de Mean Girls, com mais drama envolvido.

Eu não li o livro, mas saquei que o filme foca no essencial e no resumão emocional da trama, o que me parece óbvio e ótimo. Sem enrolar, até mesmo porque, dá até uma irritada na pessoa (eu) ficar vendo o mesmo dia over and over again.

Mas, mesmo essa irritação faz sentido no final.

Antes que eu Vá - Filme

O filme tem uma fotografia linda que te coloca dentro do clima frio, calmo e meio mórbido, em que o enredo se passa. As cores usadas na direção de imagem são sérias e um pouco sombrias, pra nos dar aquela sensação fria, com muito azul e cinza e umas cenas bem lavadas que nos jogam pra dentro do clima chuvoso das montanhas.

Pra mim, o ponto alto do filme são as cenas externas e aéreas, são bem feitas e bem posicionadas pra gente ir se entregando ao drama, aos poucos e gostando da viagem, sabe? As cenas de conceituação nos trajetos das estradas, ruas amplas e vazias, mansões e vistas espetaculares são o que nos colocam dentro da sensação de estranheza da personagem.

antes que eu vá - filme

Outra coisa legal na narrativa é que mesmo sendo um drama ~adolescente~ eles não pesam a mão na infantilidade, nenhum personagem ali está super caricato. Na real, eles mostram o bullying como é e mostram a fragilidade pro trás dos ~bullers~.

Não há um vilão na história, mas se há uma maldade ali no meio do comportamento não é forçado, é real e fácil de nos identificarmos, mesmo quem não é adolescente.

A atuação de Zoey Deutch, como Samantha, me agradou muito, é limpa, bonita e expressiva na medida da personalidade da personagem. Aliás, gostei de todos os atores adolescentes, mas Elena Kampouris, Juliet e Halston Sage, Lindz, se sobressaem!

“Maybe you can afford to wait. Maybe for you there’s a tomorrow. Maybe for you there’s one thousand tomorrows, or three thousand, or ten, so much time you can bathe in it, roll around it, let it slide like coins through you fingers. So much time you can waste it.
But for some of us there’s only today. And the truth is, you never really know.”

É um filme sobre comportamento, consequências e sobre como lidamos e aprendemos (ou não) com as coisas que fazemos. Dá pra tirar boas histórias motivacionais ou pra pensar um pouco sobre nós mesmos, sem deixar de ser um filme leve.

Uma sacada inteligente é que o tema da aula de Sam no dia é Sísifo, o mito grego que fala sobre a esperteza de enganar a morte e ter como punição a repetição eterna da pena.

Pra mim o filme falou de karma, sobre quebrar um ciclo repetitivo de comportamento que pode ter consequências enormes. Sobre como somente aprendendo e nos tornando pessoas melhores a gente pode evoluir. O filma mostra os estágios de um amadurecimento que todo mundo tem que passar nessa vida, senão quiser repetir a pena/erros pra sempre.

No blog Saber é Preciso você lê o mito de Sísifo:

“It amazes me how easy it is for things to change, how easy it is to start off down the same road you always take and wind up somewhere new. Just one false step, one pause, one detour, and you end up with new friends or a bad reputation or a boyfriend or a breakup. It’s never occurred to me before; I’ve never been able to see it. And it makes me feel, weirdly, like maybe all of these different possibilities exist at the same time, like each moment we live has a thousand other moments layered underneath it that look different.”

Ai como eu tô filósofa!

  • Possibilidade de lágrimas: 90%
  • Lágrimas efetivas no cinema: 0% tô insensível, sorry.

Guardando lágrimas e coragem pra assistir A Cabana.

Se assistir o filme vem aqui me contar o que achou 🙂

2 In Empoderamento

A Bela e A Fera: meus motivos para assistir!

Reuni todo meu conhecimento de A Bela e A Fera pra te contar por que é um filme que você deveria assistir. Não que a gente precise de motivos pra assistir ou gostar de filmes da Disney, tá?

O remake live action de a Bela e a Fera estreia hoje, 16 de março, no Brasil. Eu preciso confessar meu guilty pleasure por filmes/desenhos da Disney.

AVISO: sem spoilers, eu não vi o filme ainda 🙂

Assisto todos e tenho até minhas princesas favoritas, sério!

Colocar Emma Watson no papel da Bela minha vontade de assistir o filme só aumentou. Emma assumiu que sabia todas as falas e canções do filme quando criança – somos duas Emma!

Emma Watson, além de atriz, é embaixadora da Boa Vontade da ONU Mulheres desde 2014. É feminista, ativista e engajada na causa da luta por direitos iguais para mulheres.

Com todo o contexto do nosso tempo e essa atuação ativista da Emma Watson surgiram questões como:
É possível gostar de uma princesa da Disney e ser feminista? E o reforço ao estereótipo de beleza? Feminismo e Disney?

O clássico A Bela e a Fera é um conto escrito por uma mulher Jeanne-Marie Leprince de Beaumont em 1756 e inspirado na obra de outra mulher Madame de Villeneuve em 1740.

O conto foi escrito para ensinar “virtudes e valores” para crianças, como uma fábula com uma lição por trás. Mesmo ali naquela época, já era notável uma mulher ler, escrever e contar histórias de uma mocinha “salvando” o pai e seu algoz.

A Bela e a Fera, sempre mostrou uma “princesa” cuja vida inteira não era sobre se casar com o príncipe mais bonito da aldeia.

A animação de 1991 fez a minha infância mais encantada e foi a primeira da Disney a ser escrita por uma mulher.

Linda Woolerton era roteirista e foi ela quem criou uma personagem feminina forte, rebelde e com voz numa época que a Disney vivia no mundo far far far away de Mulan, Valente, a Princesa e o Sapo, Frozen…

Foi ela quem diminuiu a caracterização de princesa da Disney e deu uma personalidade forte à Bela.

Há que diga que Bela foi a primeira princesa feminista da Disney.

“Uma bela garota circulando pela cidade com um livro de amor, livre de amigas ou parentes mulheres, não parece exatamente material de revoluções feministas.
Mas, para que consideremos isso um avanço, precisamos apenas comparar Bela com os rascunhos anteriores dos criadores de Disney. Sem falar de outras heroínas que passam a maior parte de seus filmes dormindo, sem voz ou dedicando-se sem queixas à monotonia da vida doméstica.
A Bela da Disney não foi uma demolição dos arquétipos de princesa, mas pequenos progressos ainda são progressos.”

– Trecho da reportagem A Bela e A Fera e o Feminismo imperfeito da Disney, vale a leitura.

Nesse re-make já sei que teremos uma Bela com mais atitude, sem espartilhos a pedido de Emma Watson. O que já quebra um padrão estético dos filmes da Disney!

Precisamos olhar acima da história romântica de Bela e de tudo que romantiza a personagem. Temos uma menina de um vilarejo francês que lê, escreve, anda a cavalo e ainda inventa uma máquina de lavar! Mas, também é cheia de curiosidade e senso de aventura, com sede por viagens e por ser sua própria heroína.

Emma Watson completa esse perfil dizendo que:

“Bela é inteligente, emocional, doce e romântica. Não é como se ela cortasse parte dela fora só porque ela tem um cérebro. Acho que Bela é um desses personagens que transforma a coisa de que feminista odeia homens na sua cabeça. Bela quer ler, quer sair em aventuras e ser a sua própria referência de mulher, ser ela mesma.”

Pra completar uma das falas de Emma sobre Bela que traduz minha identificação lindamente:

“Não é que ela [Bela] não queira casar porque odeia homens. Ela não quer casar porque ela quer explorar o mundo, sair em aventuras, ela quer sua independência. Então ela quer estar com alguém que vai capacitá-la e empoderá-la, ao invés de diminuí-la. Ela quer que seja nos seus termos.”

Se você nunca enxergou Bela com esses olhos assista o re-make depois desse post e me conta se isso não mudou 🙂

Mesmo com a crítica negativa após a pré estreia eu não mudei minha opinião e o texto já estava escrito, vou no cinema e conto no stories o que achei, segue lá lis.lifestyle.