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Os meninos que enganavam nazistas

Os meninos que enganavam nazistas é a história real e autobiográfica dos irmãos judeus Joseph e Maurice.

Essa é a segunda versão em longa metragem do best seller “Un Sac de Billes”. Lançada quarenta anos depois da primeira adaptação do livro de Joseph Jollo.

O filme tem atores excelentes, especialmente os protagonistas de 17 e 12 anos de idade. Não é um relato excessivamente melodramático de uma história que é emotiva por si só.

A profundidade emocional que eu vou descrever aqui tem mais a ver com a minha experiência pessoal.

Gosto que o peso do filme está mais na visão de vida que um menino de 10 anos tinha, do que na “aventura” dos dois irmãos.

Os meninos que enganavam nazistas é um retrato maduro e equilibrado também da sensação de perda inerente aquele momento tenebroso da sociedade. e como pano de fundo fundamental temos valores como fé, esperança e caráter em meio a sobrevivência da ocupação nazista.

É um filme difícil de assistir tendo em mente que muitas famílias viveram aquilo na pele, mas ao mesmo tempo o filme mantém uma inocência e vulnerabilidade incrivelmente tocantes.

Isso que amo no cinema e na vida! Nossa experiência pessoal e abertura é que ditam o tom do que nos puxa o coração e as lições que vamos tirar.

Podemos ver esse filme, como uma fórmula padrão ao tema do nazismo: o cruel oficial alemão, o lutador da resistência e o odioso colaborador francês. Ou como, uma lição de vida real, de seres humanos que viveram aqueles momentos e crescer, um pouquinho, com a história.

É um filme pra assistir com o coração e a mente abertos para tomar muita porrada, viu?

A narração de Joseph começa em 1941 e conta com preciosismo como ele, aos 10 anos e Maurice, aos 12, sobreviveram sozinhos ao período mais brutal do nazismo na França. O filme é fiel ao livro e ao sentimento que o caçula dos irmãos relatou no seu texto intenso e terno ao mesmo tempo.

É um filme sensível com uma fotografia que foca não no terror da guerra, mas na visão de uma criança de 10 anos. As imagens com efeito lomográfico são ricas em cores sem perder o ar vintage e até nostálgico. Tanta sensibilidade não se perde ou diminui os momentos de retratar o que foi o pior da humanidade naqueles dias tão hostis.

Os diálogos em francês e alemão me deram uma sensação de dualidade de sentimentos, que imagino que Joseph e Maurice viviam. A maior parte das falas são em francês, a língua falada na casa dos Joffo e que soa mais doce mesmo, maternal. Já as falas em alemão, são duras, ríspidas e secas como as agressões sofridas pelos dois.

No último ano convivi com dois chefes franceses e um colega alemão que associei com essa dualidade. Ludovic e Stephan falando em francês, com o tom sempre charmoso me remetiam a algo leve. Mesmo em meio a acaloradas discussões, o francês me parece doce. O Harald é o alemão mais fofo que conheci na vida. Quando ele falava em alemão, a dureza da fonética parecia que não combinava com a sua personalidade bonachona. Entendem?

Apaixonada por línguas que sou, mergulhei nos diálogos e por quase duas horas não me mexi na poltrona de tanto encantamento. Precisei segurar, um pouqinho, as lágrimas também.

os meninos que enganavam nazistas dr rozen

“Se continuar lutando, segurando assim a vida em sua mão, você conseguirá.”

Mais do que uma narrativa verídica de fatos que nós, humanidade, não devíamos nunca deixar acontecer, a história d’Os meninos que enganavam nazistas fala dos principais valores que um ser humano deve manter em si.

Não é um filme fofo, a gente está ali vendo na telona um sofrimento sobre-humano que duas crianças viveram, de verdade. Mas, essas duas crianças mantiveram sentimentos e valores tão nobres que me engasga.

Muito homem feito, por bem menos, se corrompe.

Uma das porradas mais fortes que a história me deu foi o questionamento do quanto a sorte ou destino está nas nossas mãos. O quanto escolhemos fazer, ou não, o que é certo em meio ao sofrimento é o que determina a nossa vida e a do próximo. Por menor que seja a nossa ação ela pode ser responsável pela vida ou morte de alguém.

Essa escolha e responsabilidade naquele tempo de guerra, mostra ainda além. Mostra que se manter fiel ao caráter e fazer o que é certo (ou não) é também assumir as consequências disso até o final.

Atenção especial à história do Doutor Rozen e da família Mancelier, que cruzaram a vida dos meninos em situações distintas, mas igualmente marcantes.

Essa história traz uma lição forte sobre ser família, sobre o sentimento genuíno de lealdade aos que dividem a vida conosco. No relato gentil dos ensinamentos do seu pai Roman, mesmo duros e sofridos, Joseph mostra o que é ser família na provação do sofrimento.

São duas crianças não perderam de vista os valores morais, o caráter, a fé e a esperança mesmo que sobrevivendo só de lembranças de casa, da memória do avô e da vontade verdadeira de se reencontrar e de viver.

Tudo isso em meio aos sofrimentos dos mais sombrio que o ser humano possa ser submetido.

Nas cenas finais eu tive um banho de ternura que me fez soltar um sorriso largo, ali no fundo do cinema, cheio de esperança. O que tornou o final do filme feliz, mesmo que não seja o final feliz perfeito. Afinal, é um filme baseado em fatos reais e não um conto de fadas.

os meninos que enganavam nazistas - rotten tomatoes

 

O filme estreia dia 03 de Agosto e merece ser visto, a avaliação no Rotten Tomatoes é de 90%, um score alto de avaliações positivas.

Paris Filmes, obrigada pelo convite <3

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5 Comments

  • Reply
    Graziela Cardoso
    julho 25, 2017 at 10:30 pm

    Você é sempre perfeita nos seus textos por isso amo ler p lis.life me inspira e esse filne parece ser demais . Beijão grazi @grazicardoso.blog

  • Reply
    Lívia Madeira
    julho 27, 2017 at 2:27 pm

    ADORO filmes com essa temática da segunda guerra, adorei a indicação, com certeza vou procurar o filme!

  • Reply
    Cilene
    julho 27, 2017 at 6:24 pm

    Gostei muito da resenha, adoro filmes baseados em casos verídicos ou documentários. Já senti a emoção só de ler seu texto, ele deve levar a boas e profundas reflexões.

  • Reply
    Duane B.
    julho 27, 2017 at 9:15 pm

    Nossa, que legal que a Paris Filmes te convidou pra ver e fazer essa resenha! Ficou linda demais. Se lendo eu já me emocionei, imagina assistindo o filme? Sou apaixonada por histórias da 2ª GM justamente por isso, porque mostram que a sorte está em nossas mãos, apesar dos tapas na cara que levamos da vida. É sempre inspirador ver pessoas dizendo que sobreviveram a tudo aquilo, que lutaram. Gostei muito da sua opinião, fiquei curiosa pra assistir <3
    Beijos!

  • Reply
    Nessa Luzardo
    julho 29, 2017 at 11:01 am

    Gostei da indicação do filme e da sua resenha! ainda não vi, mas vou procurar e assistir hoje mesmo. Será que está disponível na Netfix?

    Beijo
    Nessa

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