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Day Off: a importância de se desconectar

Day Off a importância de se desconectar

Day off, traduzindo para o Português, significa dia de folga. Muitas empresas adotam o “day off” como um benefício ou recompensa para os funcionários.

Mas, você sabe a importância de se desconectar e realmente viver o seu day off?

Meu horóscopo previu para os primeiros dias de janeiro: “uma viagem curta com a família servirá para trazer reflexões e descanso”.

Não é que aconteceu mesmo?

Parecia impossível, toda a família trabalha em plantões e dias de folga juntos é raro de acontecer. Minha mãe queria ver o mar e minha irmã organizou uma casa bem simples, um local tranquilo e lá fomos nós.

Todo mundo anda bem cansado aqui em casa, cada um a sua maneira, com suas lutas e queríamos descansar. O pensamento de todos foi de desconectar, 2 dias offline não era nada abusurdo, né?

“…Em uma época em que é preciso estar online para se integrar, especialistas garantem: se desconectar de vez em quando pode garantir plenitude e mais qualidade de vida.”

Mas, quem disse que todo mundo conseguiu?

Eu deixei meu celular sempre longe de mim, não tive vontade de estar com ele a mão como de costume. Foram 3 vezes, em 2 dias, que espiei Instagram e Facebook para passar o tempo quando estava sozinha. Eu contei e não fiquei nem 10 minutos no celular.

Fiquei tirando fotos e observando as interações pra gravar os momentos na memória.

Parar e observar foi o meu exercício de desconexão e é uma habilidade que eu quero ampliar.

“Viver de modo pleno significa prestarmos atenção nos detalhes ao nosso redor e isso não é possível quando estamos voltados apenas para uma pequena tela em nossas mãos”, diz a psicóloga Márcia Cavalieri.

Foi interessante ver que em momentos de silêncio estava todo mundo com o celular na mão. Alguns olhando Whatsapp, Facebook ou lendo…

Com exceção da Isa e minha mãe, que não tem celular, contei vários momentos onde todo mundo estava vidrado na telinha.

Justo os que tanto reclamam do cansaço mental e queriam relaxar a mente?

Não entendemos a importância de desconectar…

“Se a mente estiver cansada, ela se torna menos eficiente e tem um rendimento menor. Nesse ponto, quanto mais trabalhamos, menos resultados obtemos. A frustração aumenta e as decisões importantes são adiadas ou tornam-se menos assertivas.

Os sintomas da necessidade de se desconectar incluem fadiga crônica, falta de energia e exaustão. A concentração diminui e tudo junto se e reflete em uma deficiência nas atividades que realizamos. A pessoa que está nesta condição tende a somatizar o seu estado psicológico em forma de doenças dermatológicas, gastrointestinais, ou dores de cabeça persistentes.” – Mente Maravilhosa.

Apesar do cansaço de todo mundo e do desejo de descansar foi um final de semana “normal”. Uma lia uma tragédia, outro não ouvia se falavam com ele, a Isa querendo brincar e minha mãe cochilando…

Até aqui interações “normais” de qualquer família hoje em dia.

Mas, não é ideal ou certo que seja assim sempre e se estenda para momentos como o dia de folga ou a viagem de descanço.

Precisamos fazer um esforço para, em certos momentos, fugir do modo piloto automático.

Eu fui a chata que falei pra para de ler notícia ruim, fiz piada com todo mundo no celular. Mas, no fundo eu achei triste, viu?

Não que eu esperasse que todo mundo desligasse o celular. Sei que o trabalho da minha irmã e do Excelentíssimo (em especial) não permite e exigiram atenção.

Mas, eu esperava que fosse só no momento de atender o trabalho. Esperava que Facebook/Instagram/Whatsapp não ganhassem nem um segundo da atenção do momento.

Ser observador no mundo virtual enquanto o mundo real está cheio de sons, sabores, cores e sensações não é meu ideal de day off.

Não importa se não tem o que fazer ou assunto pra conversar! Ficar em silêncio só apreciando a presença daqueles que amamos é uma riqueza profunda.

Eu não sou exemplo, como disse, eu olhei a internet, mas consegui desconectar profundamente.

Olha que o blog desenvolveu em mim uma parte bem online e que é muito importante pra mim. Compartilhar minha vida real na internet é parte de quem eu sou.

Mas, eu me propus a passar o máximo de tempo possível só observando e memorizando os momentos com minha família

E consegui!

Segundo a psicóloga Andréa Jotta, membro no Núcleo de Pesquisa em Psicologia da Informática (NPPI), da PUC São Paulo, olhar para aquilo que você tem ou está fazendo sem ter a necessidade de mostrar ao outro já é um grande passo. O interessante é medir o quanto você consegue fazer isso. “Reflita se você consegue sentir prazer só em viajar, estar com a família ou ir ao parque sem postar ou consultar nada”.

É a segunda viagem que faço, nos últimos 6 meses, em que não posto nada. Só curto o momento e depois, se eu quiser vou compartilhando.

Esse comportamento me dá momentos de muita riqueza e de uma calma genuína. Uma sensação de estar vivendo mesmo e dando atenção ao que realmente importa.

Não importa se todos estão nessa vibe, sabem?

Eu reparei nas marcas do rosto da minha mãe quando ela ri e o jeito dela cochilar. Sei que um dia eu vou ter alguma coisa desses trajeitos maternos.

Me encantei ainda mais com a personalidade da Isa, que aos 5 anos lembra o meu jeito quando criança. O coração de tia e madrinha derrete.

Minha irmã mais velha contou de quando era babá, aos 11 anos de idade e acompanhou os patrões numa viagem. Lembrei como a vida era difícil no passado e senti ainda mais orgulho da minha irmã e de onde chegamos!

Fiquei feliz em ver o cuidado do meu cunhado com a Isa e com minha irmã. Recém chegado na família, mas é um cara tão bacana e minha irmã merece, fiquei grata por ela.

Essas observações deram significado ao meu day off.

A vida muda muito rápido. Momentos como esse não se repetem e por isso a importância de se desconectar é enorme!

Sentir o toque, captar os detalhes do olhar, só ficar presente, trocar sorrisos vivendo o momento é o que faz a nossa mente se fortalecer.

É na simplicidade do dia a dia que a vida acontece, estar de cabeça baixa olhando pra uma tela faz você perder muitos detalhes que não vão voltar.

Nossa memória é incapaz de registrar essas riquezas pra sempre, por isso, viver o momento e estar presente de verdade é a chave pra uma vida equilibrada.

Se desconectar e viver o momento é o que nos dá força e faz diferença na nossa vida e na vida das pessoas ao nosso redor.

Mesmo que ninguém tenha percebido que evitei o celular e fiquei horas olhando pra eles, eu os percebi e isso é o que importa pra mim. 

Olhei muitas vezes para cada um, percebi os sorrisos, os olhares e sou grata por cada momento.

Perceber o outro e o mundo ao nosso redor é o que nos muda.

Por isso, acordei inspirada as 5 da manhã com um sentimento de gratidão imenso nessa segunda-feira.

Estou feliz por ter me desconectado até do comportamento das pessoas ao meu redor. Estou com o corpo recuperado do cansaço, a mente livre e o coração leve.

Que venham mais momentos como esse!

As citações desse post são do excelente artigo “Desconecte-se” do site do Abílio Diniz. Um dos administradores brasileiros que eu mais admiro, pretendo escrever sobre ele em breve.

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