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Como ser independente?

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Esse foi O ANO de pensar sobre as dores e delícias de ser independente. Não gente. Não é a crise dos 30, que já passou, aleluia amém!

Faz algum tempo que tenho um certo grau de independência. Conquistada na porrada, mas tenho. Eu revi os pilares do que, para mim, era ser independente para poder tomar algumas decisões pessoais e resolvi compartilhar.

No auge dos meus 15 anos eu pensava que ser independente seria um conto de fadas urbano se realizando. Uma mistura da Gilmore Girls com Sex and The City!

Mas, minha vida real não é nada parecida com esses seriados, viu? Tá mais pra enredo de filme de tragédia cômica ou novela mexicana.

Comecei a descobrir como ser independente bem cedo, mas isso não facilitou as coisas, só moldou meu jeito de ser.

Antes de começar a trabalhar, aos 11 anos de idade, eu já era um tanto “independente”, apesar de ser uma criança tinha uma autonomia inerente a minha criação.

Mãe, pai e meus irmãos mais velhos trabalhavam fora; Nani, minha irmã do meio, e eu, ficávamos muito tempo sozinhas. Ela é só 1 ano e 4 meses mais velha que eu, éramos duas crianças sozinhas pra comer, ir e voltar da escola, cuidar da casa e começamos a cuidar de crianças pra ganhar um dinheirinho.

Esse resumo já ajuda a entender como fazer as coisas sozinha ou por mim mesma, nunca foi um problema, certo?

Mas, senhoras e senhores, sinto dizer: ser independente é bem mais que isso!

Lembro bem como era trabalhar e pegar meu pagamento feliz da vida, chegar em casa e dar pra Mamis. Era chato, um saco! Meu dinheiro não ficava comigo e eu não sabia o tanto que ele rendia pra ajudar a pagar auguel, água, luz, comida. Não tinha luxos, mas não tinha preocupações, não tinha decisões, planejamentos ou contas.

Eu não era independente mesmo, só me achava a badass da 5° série.

Quando decidi prestar uma bolsa de estudos para o colégio técnico, me achava a mais fodona independente das meninas de 15 anos.

Comparando com as minhas colegas de classe, eu era independente e responsável (cof-cof na responsabilidade eu dava umas deslizadas). Única aluna de família realmente pobre no colégio, que trabalhava para pagar os estudos e negociava com o diretor quando precisava atrasar.

Mas, eu tive a ajuda da minha irmã mais velha para pagar o colégio e tantas outras ajudas, doações de livros e etc.

Estava bem longe de ser independente, mas já tinha autonomia, responsabilidade e idade. Mesmo assim não me ensinaram que ser independente era algo bom, pelo contrário!

Na minha criação mulheres independentes eram taxadas de “fortes demais para os homens” que “assustam” e, consequentemente não se casam, ficam sozinhas e não são 100% realizadas.

Independência é um sinônimo de liberdade, mas para mulheres, isso nunca foi algo 100% bom. Mesmo tendo vindo de uma família matriarcal, com mais mulheres que homens, vi minhas primas, tias, irmã e mãe, serem taxadas por seus relacionamentos (ou pela falta deles) e comportamentos.

Minha família mudou e, por sorte, a sociedade está mudando.

Ser independente é ter domínio e responsabilidade irrestrita sobre sua vida, suas escolhas e lidar SOZINHA com as consequências no caminho.

LIDAR SOZINHA com as consequências quer dizer que se você corre pro empréstimo de mamãe e papai quando não consegue pagar as contas que fez, você não é independente. É no máximo uma pessoa mimada e irresponsável, sorry!

Você sabe lavar sua roupa? Você sabe cozinhar uma refeição completa? Você sabe limpar a casa? Sabe fazer sua própria unha e maquiagem? Ou pelo menos consegue bancar tudo isso sem precisar de nada além do seu próprio esforço e vontade?

Ok. Mas, nada disso te faz independente se na hora do VAMO VÊ você sempre corre para alguém resolver seus problemas ou te ajudar, mana!

É claro que posso ser independente, auto-suficente, mas nunca me achar onipotente.

Não estou dizendo que ser independente é não precisar de ajuda pra nada nunca mais nessa vida. Mas, é precisar de ajuda por motivos certos e não por erros irresponsáveis, entende?

Tem uma grande diferença quando você precisa de ajuda por um acidente, doença, imprevisto e etc. Receeber e dar ajuda é essencial na vida, falo disso mais adiante. Mas, uma pessoa independente e madura deve arcar com suas escolhas, especialmente, quando erra.

Ter a humildade de reconhecer que minha independência não me torna uma Deusa é uma das coisas que me mantém equilibrada e faz com que eu não me isole nessa vida.  Eu sou no máximo uma Amazona Guerreira com muito sangue nos olhos 🙂 mas…

Recentemente fiquei 3 meses sem poder usar minha conta bancária e cartões por conta de um processo de divisão de bens. Nesse período eu paguei contas que caiam automaticamente, mas para coisas básicas do dia a dia (comida, gasolina e outros gastos) eu recorri a santa ajuda da minha mãe.

Entre ir comer todos os dias na casa dela e pequenas quantidades de dinheiro, foram 3 meses que precisei de ajuda. Sem contar todo amparo emocional, né?

Minha mãe não deixou eu jogar carro em cima de ninguém, nem tacar fogo em nada 😀

Eu deixei de ser independente por isso? Não.

Isso aconteceu sem que eu pudesse retirar meu dinheiro da conta antes, foi um imprevisto. Não uma ajuda sem data para acabar. Não fiz nada usando o nome/dinheiro de outras pessoas como se fossem meus e mantive minha independência mesmo com essa ajuda. Assim que tudo se resolveu a primeira coisa que fiz foi devolver toda a ajuda.

Ser independente é também saber reconhecer quando preciso de ajuda, qual ajuda é boa de verdade e ser responsável/honesta para retribuir/devolver toda ajuda assim que possível.

A primeira coisa para ser independente é a consciência de que sou a única responsável por como me comporto e pelas escolhas que faço diante das situações.

Errar é humano, pedir ajuda quando erro é inteligente, mas precisar de muletas o tempo todo para reparar meus erros é dependência e fraqueza.

Existe Deus, existe destino, existe um monte de coisa, mas meu único inimigo e amigo é aquele reflexo que vejo no espelho.

Ter domínio da minha vida é decidir cada passo de forma pensada, alinhada com meus planos e metas, sabendo que meu caminho é só meu. Mesmo que tenha alguma ajuda no trajeto, o caminho é meu!

Com a independência precisamos cada vez menos da aprovação dos outros, passamos a filtrar quem pode opinar e qual opinião é importante de ser ouvida. Isso muda nossas relações pessoais e familiares, começamos a nos fortalecer internamente e com o tempo ficamos mais fortes mentalmente.

Independência é força, força bem medida e que deve ser bem usada.

Quando morei sozinha pela primeira vez, por 1 ano, aprendi uma lição que carrego até hoje. Não é pagar as contas, trabalhar, ter dinheiro, um carro e etc., que faz de mim independente.

Foi um momento de luto e dor. Mas, também de descoberta de uma nova vida longe da igreja, novas amizades, lidar com contas, a vida sem meu pai e minha mãe, esse mundão doido e uma casa.

Eu não era independente, mesmo sem precisar de dinheiro emprestado, morando sozinha e pagando as contas, eu fazia péssimas escolhas pra mim só para preencher o luto. Eu não me sentia bem em casa, não estava bem no trabalho, vivia em baladas e não tinha equilíbrio.

Eu tinha 21 anos e descobri que eu não funcionava bem sozinha naquela situação, imatura e inexperiente eu jamais seria independente.

Uma pessoa independente precisa funcionar MUITO BEM sozinha! Ter equílibrio e superar momentos difícieis sem cometer erros e piorar sua situação.

Independência é também maturidade e resiliência.

Independência emocional e psicológica eu tento construir no dia a dia, sabendo o que é meu de verdade, o que é carência e o que é do outro.

A vida é complexa demais para ter a pretensão de achar que sou 100% segura da minha independência emocional e psicológica. Por isso eu cuido para não perder o que conquistei ao longo dos anos com terapia, escrita e espiritualidade.

Sigo aprendendo!

Dia desses aconteceram duas coisas na minha vida que vale contar aqui para falar de outro nível de independência.

Nos últimos quatro meses eu guardei uma reserva de dinheiro, que era uma reserva de emergência. Estava feliz com ela até que meu celular quebrou e eu quis comprar um novo. Como eu não gosto de parcelar compras, comprei outro iPhone à vista, com o desconto do usado, até que… 1 mês depois…

Roubaram o step do carro e quebraram o suporte dele, uma emergência de verdade…

Não posso dirigir sem step e também não queria comprar em lojas ilegais, sem nota e pagar mais barato incentivando o crime. Com minha reserva de emergência defasada eu tinha algumas opções para seguir:

  • Parcelar a compra da roda e pneu (que eu não gosto);
  • Pedir dinheiro emprestado (que eu evito até a morte);
  • Ficar andando sem step até que eu completasse o dinheiro ou o pior acontecesse (que seria uma burrada enorme);
  • Comprar o step novo, consertar a gaiola e pagar a vista com o dinheiro da minha conta corrente e não cometer excessos ou burradas até formar a reserva de emergência de novo.

O que eu fiz?

A última opção que não era, nem de longe, a mais fácil ou mais gostosa.

Alcançar a independência financeira é saber usar o dinheiro que tenho e a liberdade que ele me dá com consciência de que cada escolha pode implicar em uma renúncia mais adiante.

Ser independente não é só liberdade, é responsabilide e culhões, viu?

Outro pilar importante, para mim, é reconhecer a “Lei da Interdependência”, Innen no Hou, um dos princípios básicos do Budismo:

“Quando você é jovem, saudável e forte, às vezes tem a sensação de ser totalmente independente, de não precisar de ninguém. Mas isso é uma ilusão. Mesmo na flor da idade, simplesmente por ser humano, você precisa de amigos, não? Isso é especialmente verdade quando fica velho e precisa contar mais e mais com a ajuda dos outros. Essa é a natureza de nossas vidas como seres humanos.

Em pelo menos um sentido, podemos dizer que as outras pessoas são realmente a principal fonte de todas as nossas experiências de alegria, felicidade e prosperidade, e não apenas em relação a nossas interações diárias. É possível ver que as experiências desejáveis que cultivamos dependem da cooperação e interação com os outros; é um fato óbvio.

Mesmo de uma perspectiva totalmente egoísta – querendo apenas nossa própria felicidade, conforto e satisfação na vida, sem consideração pelo bem dos outros – eu ainda argumentaria que a realização de nossas aspirações dependem dos outros. Mesmo a execução de ações nocivas dependem da existência dos outros. Por exemplo, para trapacear, você precisa de alguém como objeto do seu ato.

Todos os eventos e incidentes na vida estão tão intimamente conectados com a vida dos outros que uma pessoa sozinha por si só não pode sequer começar a agir.

 ~ XIV Dalai Lama Tenzin Gyatso, em “The Compassionate Life” (cap. 1, pgs. 5 e 6)”

Uma das atitudes que Buda diz ser a causa do sofrimento é ignorar a realidade da interdependência.

Compreender que tudo o que faço impacta o mundo e as pessoas ao meu redor me traz a responsabilidade necessária para ser independente e não egoísta.

Aceitar que eu preciso me relacionar de forma saudável e íntegra com os que me cercam faz com que minhas escolhas, mesmo independentes, sejam mais sábias.

Seja na carreira, em família ou no mundo ninguém constrói sua independência sozinho, nem pode desfrutar dela completamente se estiver isolado.

Por isso independência é também desempenhar com responsabilidade os meus papeis no mundo. Compreender que minhas ações causam reações que são ciclícas… Vão e voltam.

O que eu causo com a minha independência volta pra mim com a força aumentada do que minha ação gerou no mundo nos outros. Ser independente não é ser individualista, egocêntrico ou egoísta. Para ser independente não posso me desligar do fato de que ninguém pode viver só.

Com tudo isso eu estou construíndo minha independência e tenho curtido a experiência até aqui, com suas dores e delícias. E você?

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Como saber o que é certo e o que é errado?

Nesses tempos de valores morais e éticos flexíveis e questionáveis eu tenho pensado muito sobre como saber o que é certo ou errado. Qual o juiz interno que determina o que fazer ou não, onde e o que eu devo flexibilizar?

Eu acredito que meu caráter é formado por minhas constatações interiores, aprendizados e pelo que absorvo do meio e das pessoas com quem eu vivo. Meu modo de pensar e agir foi construído ao longo da minha vida e é um eterno trabalho inacabado.

Somos assim, vivemos as mesmas condições, situações e tendo a mesma rede de relacionamentos, mas cada um tira pra si e vê o que pode e o que lhe apetece, não é?
Há quem só veja o mal por não conhecer o que é mal de verdade, há quem só veja o bem porque deseja só ver o bem.

Mas, tem uma coisinha que nos diferencia nos momentos cruciais da vida, quando temos que escolher entre o certo e o errado.

Eu sei que o CERTO ou o ERRADO não é um conceito imutável e comum à todos. Esses conceitos podem mudar de acordo com a cultura, religião, crenças e até a criação familiar que uma pessoa teve. Esses conceitos também podem mudar por coisas racionais, como nossas escolhas ou emocionais como maturidade, a capacidade de resiliência e superação que cada um tem ou não.

Dito isso, eu fico mais tranquila em falar do que me ajuda a saber o que é certo e o que é errado.

Eu acredito que existe uma bússula interna que TODO MUNDO tem. O mundo está esse pantano nebuloso de mau caratismo, maldade e destruição por quê poucas pessoas usam.

Tem gente que chama essa bússula de Deus, Espírito Santo, feeling, intuição… Eu chamo de Grilo Falante!

Como saber o que é certo e o que é errado

O meu Grilo Falante usa uma afirmação do filósofo alemão Immanuel Kant quando precisa me guiar para saber o que é certo e o que é errado:

“Tudo que não puder contar como fez, não faça!”

Trocando pelo Cristianismo “tudo me é lícito, mas nem tudo me convém” quando o Grilo Falante quer me lembrar da minha base espiritual e do bom uso do livre harbítrio.

Esse vídeo que destaquei aqui fala uma coisa que ajudou muito a formar o meu caráter. A noção de envergonhar a quem eu admiro, minha mãe e meu pai, especialmente.

Eu lembro que eu era uma criança virada no capeta e fazia coisas inimagináveis. A vida pobre me deu muita liberdade desde cedo, na minha quebrada ou você se vira ou te viram do avesso.

Uma vez eu estava numa baladinha matinê e fui fumar um cigarro no banheiro, escondido, com uma colega… Eu tinha uns 10 anos de idade gente! Sim, precoce! Estava experimentando e o que aconteceu? Nos acharam e como sempre fui daquelas que enfrenta as merdas que faz eu não fugi. Fiquei, assumi e ainda bati boca, falei pra uma das moças que estavam me dando um sermão: vocês não são minha mãe!

Aí duas meninas mais velhas decidiram me levar pra casa, pra contar pra minha mãe o que eu havia feito.

[A tal matinê era no meu bairro e todo mundo se conhece na quebrada ou conhece alguém da família. Aprendi cedo que o mundo é um ovinho de codorna!]

Quando estávamos na minha rua, minha mãe vinha descendo para ir à missa. Meu coração doeu, o olho marejou e porque? Minha mãe nunca me bateu, não lembro nem dos merecidos chinelos voadores. Nunca fui punida com violência ou injustamente, minha mãe tem uma severidade cheia de amor que é própria da Dona Helenice.

Meu pai era mais bravo e exigente, mas não agressivo. O alcoolismo que fazia ele violento, nunca uma bronca ou repreensão.

Quando eu fazia merda minha mãe não falava pro meu Pai quando ele estava bêbado. Em geral, as broncas do meu Pai em mim, era em casa, pelo que ele me via fazendo ali no convívio. Coisas “da rua” era mamãe mesmo que cuidava, junto com a Kelly e o Carlinhos, meus irmãos mais velhos.

Então por que eu fiquei tão impactada? Por que não fui bocuda, como sempre, e peitei como faria em outras situações?

Eu peitava minha mãe e meu pai com medinho, mas desde criança. Defendia minhas opiniões com uma força quase brutal, mas naquela ocasião tinha uma única coisinha que me impedia de fazer isso.

Foi assim que conheci meu Grilo Falante, a minha bússula interior: um sentimento de vergonha por decepcionar minha mãe, uma coisa estranha no peito, uma consciência nascendo no forcêps…

Naquele dia, minha mãe foi forte como sempre. Agradeceu as meninas, me mandou pra casa e disse que conversaríamos depois com um olhar de decepção, dureza e vergonha. Sem raiva, sem nervoso, sem agressividade, só aquele olhar…

Aí eu cheguei em casa e vi um bilhete escrito por ela: “Tata, fui pra missa, tem janta no fogão.”
Essas palavras tão simples tinham tanto significado e força, que você não imaginam o quanto me afetou. Era um esforço da minha mãe em escrever vencendo suas limtações, pra cozinhar e pensar em mim, mesmo eu estando na baladinha fazendo merda e, possivelmente, naquele domingo meu pai bêbado, a vida difícil e etc…

Como saber o que é certo e o que é errado

Eu caí num choro, era tanto arrependimento, tanta vergonha, chorei de soluçar, sozinha, sem nenhuma palmada ou bronca.

Quando minha mãe chegou só recebeu meu pedido de desculpas e mandou eu arrumar alguma coisa na casinha simples de taco de madeira. Lembro disso com tanta clareza, lembro da minha sensação de vergonha ao ver minha mãe, da dor de decepcionar alguém tão bom pra mim.

Foi nessa experiência que eu entendi que fazer o certo ou o errado é uma escolha pessoal, mas que sempre tem consequências que afetam aqueles que convivem comigo e, se me amam, vai doer neles.

Vocês acham que depois do episódio do cigarro eu me tornei uma criança exemplar? Filha irrepreensível de Dona Helenice e Seu Luis?
Of course que not!

Vieram tantos outros episódios, tantas coisas que tentei esconder da minha mãe e só fui contar anos depois. O primeiro baseado, as “amizades” erradas, as aulas matadas, um crush, um negócio mal feito e tantas outras coisas…

Ah, mas hoje você parou de errar Lis?
Of course que not!
Como saber o que é certo e o que é errado

Estamos aí acho que errando um pouquinho menos a cada um dos 30 anos vividos. Mas, ainda errando.

Hoje antes de fazer alguma coisa, eu penso se estou disposta a lidar ou não com as consequências daquilo. Ainda me pergunto se eu posso ir correndo contar isso pra minha mãe. Se meu Pai estivesse aqui ele se orgulharia de mim? Eu teria vergonha de falar disso na mesa de domingo com a Isa no colo?

Esses são meus parâmetros…

Hoje, meus erros não são mais molecagem, coisa de quem quer conhecer novas coisas sabem? Agora eu erro como gente grande, é uma sociedade mal escolhida, um dinheiro desperdiçado, uma briga irresponsável… As consequências e os erros crescem com a gente e não dá nem pra colocar a culpa na imaturidade ou na vontade de experimentar mesmo.

Como eu disse, fui precoce, aos 11 anos comecei a trabalhar e ganhar meu dinheirinho, mas não foi isso que me fez amadurecer. Eu amadureci a partir da minha decisão pessoal de fazer o que era certo e o que me orgulharia por dentro e por fora.

Não tenho uma vida irrepreensível, mas dos meus 15 anos (mais ou menos) em diante eu decidi fazer cada vez mais o que é certo e menos o que é errado. Baseada nos meus valores pessoais não voltei mais atrás.

Como sei que não voltei mais atrás?

Minha bússula interna, a medição do meu orgulho em contar os caminhos da minha vida, o quanto eu consigo manter a cabeça erguida quando falo das minhas escolhas.

Claro que eu posso sempre usar o auto-engano se eu quiser. Mas, escrevo esse texto com minha mãe dormindo aqui na minha frente. Acabamos de almoçar falando da minha infância e adolescência, do meu Pai e dos conselhos que ele me daria no meu momento atual.

Sabe o que ela me disse?

“Você sempre foi terrível, pro bem e pro mal, aprontou mais que seus irmãos. A mais nova e que fez mais estripulia, deu mais trabalho e sempre foi diferente dos outros. Quando você se emendou na vida foi de vez e não voltou mais. Ainda é a diferente dos outros e é a rapa do tacho que se remendou sozinha. Você precisa continuar com a cabeça boa e não se importar com as pessoas, os outros só fazem o que querem e você sabendo o que você quer só precisa andar no caminho certo.”

Precisei parar e escrever por que não quero esquecer do dia de hoje, nem dessas palavras. Nem de nenhum dos questionamentos que a vida me trouxe até aqui e nem de como eu lidei com eles.

Não quero que o auto-engano e o desejo de seguir o caminho mais fácil me vençam, nunca.

Sou grata pelo amor justo dos meus Pais, pela bondade e sabedoria da minha mãe, pelas exigências e condições do amor do meu Pai. Por eles nunca terem passado a mão na minha cabeça e terem me ensinado cedo que tudo me é licíto, mas nem tudo me convém. Por terem me permitido errar em coisas que não trariam grandes consequências na minha vida e terem me parado quando foi preciso. Isso me ensinou o que é amor de verdade e que ele não é cego, sabe bem o que é certo e errado.

E você? Qual é a sua bússula para saber o que é certo e o que é errado?

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Mudar a energia de dentro pra fora

Mudar a energia de dentro pra fora - energia

Não esse não é um blog esotérico, tão pouco, místico ou religioso. Embora eu seja uma curiosa da espiritualidade e tenha aqui muita fé nas coisas.

Descobri que é possível mudar a energia que sinto e emano para viver melhor, mesmo em meio as tribulações.

Esse aprendizado na verdade é a soma de práticas que eu acredito na vida, mas passando por um momento específico desse ano eu precisei resgatar tudo isso dentro de mim.

Eu chutei algumas bundas esse ano, tomei umas boas rasteiras também, travei batalhas imensas, perdi algumas, ganhei outras… A guerra ainda está em andamento e mudar a energia de dentro pra fora está fazendo com que eu me recupere cada vez mais rápido dessas batalhas.

Eu acredito no poder transformador das coisas simples e consideradas pequenas, são elas que nos mostram milagres no dia a dia.

Levou 3 meses até que eu percebesse que pequenas mudanças na minha energia pessoal me sustentaram nas decisões mais difíceis.

Aqui é tiro, porrada e bomba, mas mesmo assim, eu comecei do básico: ficando na merda!

A merda* é aquele momento em que tudo dá errado, você tá sozinha no lugar mais fundo do que o fundo do poço e fica onde? Na merda! 🙂

Mas, de merda nessa vida eu entendo! As maiores lições e bençãos da minha vida saíram de momentos como esse. Eu odeio quando acontece merda na minha vida, mas depois que passa eu entendo que quando não é benção, é lição – mas, pode ser as duas coisas ao mesmo tempo agora!

Mudar a energia é um gesto de amor próprio, é uma decisão intíma e que só depende de nós. Mas, os resultados não vem só para nós internamente, viu? Isso que é o mais lindo!

Mudar a energia de dentro pra fora - frase

Eu comecei a mudar a energia dentro de mim quando reconheci os meus monstros.

Eu aceitei que dentro de mim vivem monstros que crescem, às vezes. Eles me assustam, assustam os outros, mas foi olhando pra eles que eu entendi que preciso controlá-los.

Fácil? Óbvio que não! Mas, todo dia tô aqui olhando meus monstros e aprendendo tentando a controlar eles um pouquinho.

Mudar a energia de dentro pra fora - monstros

Eu achava que ter inteligência/maturidade/equilíbrio emocional era não sentir dor ou, pelo menos, conseguir não mostrar que esses montros existem. Já que não ter monstros em si é impossível pra nós humanos mortais.

Mas, eu, no meu processo de evolução, preciso me harmonizar com os MEUS monstros.

Seja a raiva, ódio, ressentimento, medo, violência, mau humor, falta de flexibilidade e etc… (Se eu for escrever todos os meus monstros daria duas Bíblias.)

Eu entendi que fugir é pior, que não deixar sair me corrói por dentro, que viver de aparência é mais nocivo que admitir o pior lado do meu temperamento. Quando fujo dos meus monstros eles ficam num cantinho da minha cabeça isolados e crescendo, uma hora eles podem voltar ainda maiores.

Por isso, hoje, quando um desses monstros aparece eu simplesmente tento entender de onde ele veio, o que atiçou a fera em mim? Quando consigo, eu respiro e faço uma oração. Eu ainda não evolui a ponto de controlar eles, mas sempre digo que matar é crime, então sou um ser humano controlado pelas leis… Brincadeira, mas é verdade!

Depois que os monstros saem de mim, às vezes, eu choro, ou fico aliviada, ou dou risada da situação ou fico envergonhada se julgar que me excedi. Essa sou eu reconhecendo que posso ser melhor, mas também sem fingir, sendo eu mesma.

Cada dia é uma reação e um aprendizado.

Encarando meus defeitos eu aprendo e evoluo com eles. Quando passa a tempestade eu tenho certeza que exorcizei um demônio de dentro de mim e dei um passo adiante.

Isso é mais um exercício de maturidade mental e emocional que qualquer outra coisa, quando não estamos maduros a gente foge da dor, dos problemas, dos nossos monstros e busca a forma mais fácil para se iludir.

Outra coisa que me ajudou a mudar a energia da minha vida foi ter uma prática espiritual e física.

Eu coloco no mesmo nível de importância, praticar uma atividade física e uma espiritual. São dois pesos que me mantém em equílibrio, que me organizam por dentro e por fora.

Ter uma atividade física traz inúmeros benefícios pra saúde mental. Libera ocitocina, o hormônio do bem estar, melhora a saúde, aumenta a concentração e tem me ajudado a ter algumas horas pensando só em mim e no meu corpo.

Se não dá pra ir na academia fazer aula de yoga uma vez na semana, eu caminho na rua ou no parque, é de graça e faz um bem enorme pra mim.

Mudar a energia de dentro pra fora - atividade fisica

Como atividade espiritual eu acredito que cada pessoa encontra o seu caminho. Eu oro, muito e sempre! Vejo Deus como uma força onipresente que eu posso me conectar o tempo todo. Até quando tô no meio de uma discussão acalorada eu tento pedir uma força do céu pra me acalmar, porque meus monstros me vencem nessas horas.

Acredito na meditação contemplativa e voltei a praticar há 1 mês, também não é fácil com a cabeça cheia de energia densa e ruim, mas ao final eu me sinto muito mais leve.

Para mudar a energia da minha casa eu tenho usado a aromaterapia, farei um texto só sobre isso. Os gatinhos adoram os cheiros novos pela casa, uso até uma essência só para eles. 🙂

Minha energia e da minha casa tem impacto na vida e saúde dos meus filhotes. Tanto que eles andam bem doentinhos e eu precisei aprender cuidados para melhorar a saúde deles, mas também a energia e a ansiedade dos gatos. O veterinário me disse esses dias que eles estão abatidos pelas mudanças, mas a energia vital deles está preserevada e muito bem cuidada.

Mudar a energia de dentro pra fora - aromaterapia

Uso óleos essenciais para deixar a casa mais aconchegante e trazer sensações positivas através do olfato. Minha mãe usava muito Alfazema e Lavanda em casa para “acalmar as energias” quando eu era criança. A Alfazema e Lavanda têm efeitos relaxantes, calmantes, antiespasmódicos, analgésicos e antidepressivos, uso no banho, na roupa de cama e até algumas gotinhas para inalar antes de dormir.

  • Os gatos dormem muito melhor quando faço uma massagem neles com lavanda. O Fritz – meu gato mais velho – está doente e tem tido dores, nele que eu vejo mais diferença no sono depois da massagem.

Também tenho feito limpezas constantes para tirar roupas, móveis e tudo que esteja parado e sem uso. Isso renova a vida! Fotos, livros e objetos quando ficam parados só acumulam energia e pó.

Aqui tudo que pode ser doado é doado para quem precisa e o que não pode vai pro lixo reciclável.

No carro, quando estou estressada no trânsito, eu procuro mudar a energia ouvindo músicas mais calmas.

Se eu colocar Rage Against the Machine, que eu amo, na hora do rush eu viro o Toretto e acho que tô em Velozes e Furiosos.

Mudar a energia de dentro pra fora - trânsito

Não só mantras ou músicas calmas, ouço músicas que gosto de cantar, alegres e até danço ao volante :D. Quem me acompanha no stories já me viu dançando axé no final do expediente pra exorcizar o mau humor!

Tenho uma rotina com 4 horas no trânsito, todo dia. Então, pela manhã faço minhas orações, cocnverso com o universo, ouço música gospel e áudio books/podcasts.

Mudar a energia também nos aparelhos tecnológicos.

No celular e no computador eu limpei tudo que não uso ou que não faz mais sentido guardar. Peguei minhas HD’s externas, cartões de memória e pen-drives e limpei todos. Armazenei só coisas úteis, como documentos.

Mudar a energia de dentro pra fora - redes sociais delete

Especialmente no celular eu criei o hábito de limpar meu histórico de ligações e conversas do WhatsApp todo dia. O que preciso arquivar eu faço um print e mando por e-mail.

Mudar a energia de dentro pra fora - redes sociais

Outra pequena grande mudança na minha energia foi deletar das redes sociais todas as pessoas que não fazem mais parte da minha vida e que, por qualquer motivo, eu julgue que não quero ter contato ou que vejam o que eu posto.

Eu me perguntei: “como eu conheci essa pessoa? Qual o contato que ela tem comigo hoje? Quero/vou/faz sentido ter contato com ela no futuro?” Fui deletando sem dó e muita gente só percebeu quando bateu a curiosidade de saber da vida alheia, aí vieram curiosar nas redes do blog.

É bem mais fácil barrar bad vibes assim. Nas redes do blog tudo é pessoal, mas é SÓ o que eu quero mostrar e ninguém tem culhão de vir aqui escrever coisas ruins pra mim publicamente, entendem?

Faço momentos de detox em casa para mudar a energia e me recompor.

Eu experimentei alguns dias sem comer carne, sem bebida alcoólica e bebendo mais água pra limpar o corpo. Nesses dias eu quis ficar mais quieta que o normal. Evitei TV, internet, assisti filmes leves e li livros que elevam a mente.

Mudar-a-energia-de-dentro-pra-fora-detox em casa

Virou um ritual de detox pra minha vida. A melhor coisa é que eu me alieno do mundo por uns dias e volto renovada. Não preciso sair da minha casa pra isso, só desligo o celular/TV e fico no meu cantinho fazendo vários nadas seguidos.

Nesses dias de detox eu bebo mais chás, escolho aqueles que se alinham com calma e limpeza. Faço meus banhos de ervas e tento comer tudo o mais natural possível. Além, de ter muitas horas de sono, relaxamento ae reclusão.

  • Sobre os chás e ervas eu dou também para os gatos, eles podem beber certos chás e incluí florais para nós também. A longo prazo tudo isso muda nossa energia, não é milagre é cuidado e dedicação mesmo.

O que isso mudou em mim?

Por dentro me sinto mais forte, mais determinada e assumi mesmo meu lado negro da força. Sinto que mesmo quando bate a bad ela não vem por motivos banais, pessoas pequenas ou raiva.

Se for pra deixar a bad entrar que seja pelos problemas reais, né?

Minha saúde mental, emocional e física melhorou. Parei de focar atenção nas batalhas que não valiam ser lutadas e comecei a focar na guerra que vale ser vencida.

Aprendi que olhar uma situação pelos ângulos pequenos das pessoas medíocres cansa e desgasta. Querer lutar batalhas inúteis é desperdício de energia. Escolho minhas lutas e não ligo de não lutar por certas coisas/pessoas.

Minha cabeça se organizou e meu foco está maior em mim e nas coisas que eu quero. Estou mais certa do que eu quero pra minha vida e para onde estou indo. A clareza mental que mudar a energia me trouxe melhorou até minhas finanças.

Por fora? Pessoas íntimas notaram coisas bem sútis em mim e me disseram isso com alegria. Um sorriso mais aberto, um olho mais brilhante, uma movimentação de sonhos e felicidade que eu havia parado. Um bom humor voltando aqui, uma mudança ali…

Mudar de dentro pra fora me trouxe pessoas novas, fechou ciclos e mesmo nos meus erros eu tive a certeza de que eu estava fazendo o que era certo pra mim e deixando claro quem eu sou (com seus defeitos e qualidades).

Vou seguir mudando minha energia e vibração, movimentando por dentro para refletir por fora. Espero te inspirar a fazer o mesmo!

 

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A Bela e A Fera: meus motivos para assistir!

Reuni todo meu conhecimento de A Bela e A Fera pra te contar por que é um filme que você deveria assistir. Não que a gente precise de motivos pra assistir ou gostar de filmes da Disney, tá?

O remake live action de a Bela e a Fera estreia hoje, 16 de março, no Brasil. Eu preciso confessar meu guilty pleasure por filmes/desenhos da Disney.

AVISO: sem spoilers, eu não vi o filme ainda 🙂

Assisto todos e tenho até minhas princesas favoritas, sério!

Colocar Emma Watson no papel da Bela minha vontade de assistir o filme só aumentou. Emma assumiu que sabia todas as falas e canções do filme quando criança – somos duas Emma!

Emma Watson, além de atriz, é embaixadora da Boa Vontade da ONU Mulheres desde 2014. É feminista, ativista e engajada na causa da luta por direitos iguais para mulheres.

Com todo o contexto do nosso tempo e essa atuação ativista da Emma Watson surgiram questões como:
É possível gostar de uma princesa da Disney e ser feminista? E o reforço ao estereótipo de beleza? Feminismo e Disney?

O clássico A Bela e a Fera é um conto escrito por uma mulher Jeanne-Marie Leprince de Beaumont em 1756 e inspirado na obra de outra mulher Madame de Villeneuve em 1740.

O conto foi escrito para ensinar “virtudes e valores” para crianças, como uma fábula com uma lição por trás. Mesmo ali naquela época, já era notável uma mulher ler, escrever e contar histórias de uma mocinha “salvando” o pai e seu algoz.

A Bela e a Fera, sempre mostrou uma “princesa” cuja vida inteira não era sobre se casar com o príncipe mais bonito da aldeia.

A animação de 1991 fez a minha infância mais encantada e foi a primeira da Disney a ser escrita por uma mulher.

Linda Woolerton era roteirista e foi ela quem criou uma personagem feminina forte, rebelde e com voz numa época que a Disney vivia no mundo far far far away de Mulan, Valente, a Princesa e o Sapo, Frozen…

Foi ela quem diminuiu a caracterização de princesa da Disney e deu uma personalidade forte à Bela.

Há que diga que Bela foi a primeira princesa feminista da Disney.

“Uma bela garota circulando pela cidade com um livro de amor, livre de amigas ou parentes mulheres, não parece exatamente material de revoluções feministas.
Mas, para que consideremos isso um avanço, precisamos apenas comparar Bela com os rascunhos anteriores dos criadores de Disney. Sem falar de outras heroínas que passam a maior parte de seus filmes dormindo, sem voz ou dedicando-se sem queixas à monotonia da vida doméstica.
A Bela da Disney não foi uma demolição dos arquétipos de princesa, mas pequenos progressos ainda são progressos.”

– Trecho da reportagem A Bela e A Fera e o Feminismo imperfeito da Disney, vale a leitura.

Nesse re-make já sei que teremos uma Bela com mais atitude, sem espartilhos a pedido de Emma Watson. O que já quebra um padrão estético dos filmes da Disney!

Precisamos olhar acima da história romântica de Bela e de tudo que romantiza a personagem. Temos uma menina de um vilarejo francês que lê, escreve, anda a cavalo e ainda inventa uma máquina de lavar! Mas, também é cheia de curiosidade e senso de aventura, com sede por viagens e por ser sua própria heroína.

Emma Watson completa esse perfil dizendo que:

“Bela é inteligente, emocional, doce e romântica. Não é como se ela cortasse parte dela fora só porque ela tem um cérebro. Acho que Bela é um desses personagens que transforma a coisa de que feminista odeia homens na sua cabeça. Bela quer ler, quer sair em aventuras e ser a sua própria referência de mulher, ser ela mesma.”

Pra completar uma das falas de Emma sobre Bela que traduz minha identificação lindamente:

“Não é que ela [Bela] não queira casar porque odeia homens. Ela não quer casar porque ela quer explorar o mundo, sair em aventuras, ela quer sua independência. Então ela quer estar com alguém que vai capacitá-la e empoderá-la, ao invés de diminuí-la. Ela quer que seja nos seus termos.”

Se você nunca enxergou Bela com esses olhos assista o re-make depois desse post e me conta se isso não mudou 🙂

Mesmo com a crítica negativa após a pré estreia eu não mudei minha opinião e o texto já estava escrito, vou no cinema e conto no stories o que achei, segue lá lis.lifestyle.

2 In Empoderamento

O que acontece depois do Fim?

o que acontece depois do fim - lis.life

2016 foi um ano de encerramentos, segundo a astrologia esse ciclo de finais vai até março de 2017, mas esse texto não é nada místico…

Ano passado vi casais se separando, amigos perderam o emprego, tive derrotas pessoais na bagagem e parece que o mundo inteiro passou por grandes finalizações.

O Brasil, em especial, viu encerramentos no cenário político e econômico bem difíceis, empresas faliram, sociedades se desfizeram e a povo ficou com aquela cara de “meu Deus do céu, onde isso vai parar?!”

Nos meus encerramentos pessoais alguns são fracassos e outros desapegos de deixar ir aquilo que não me serve mais. Nada que se compare ao sofrimento de perder um ente querido ou ver um sonho se desfazer, mas me fez pensar sobre finais e recomeços.

Acho que todo mundo em algum momento já se perguntou o que acontece depois do Fim? Pra onde a gente vai quando as coisas dão errado? Onde a gente se firma depois que perde o chão?

O Fim é uma força da natureza, é uma entidade poderosa e mal interpretada.

Ele, quase sempre, vem fazendo machucados e deixa uma bagunça na passagem. Mesmo pra quem deseja muito que o Fim chegue, quando ele se manifesta dói.

Todo o poder do Fim é também uma responsabiliade.

O Fim tem a obrigação incubida pelos céus desde todos os tempos de chegar, se instalar, fechar portas e abrir caminhos para outras duas fortes entidades.

O Começo e a Aceitação, não nessa mesma ordem.

O Começo é sempre o mais desejado, querido, celebrado. Porém, ele não tem o poder do Fim pra conseguir se movimentar e chegar na vida das pessoas.

a Aceitação é calma, quieta e eu acho que ela é muda, mas não tenho certeza. Vai ver ela é só incompreendida, porque a gente nunca abre os braços pra ela logo cara… Mas, os poderes da Aceitação são fortes e duram pra vida toda e libertam!

A verdade é que só o Fim tem o poder de dar espaço para a Aceitação e para o Começo.

O Começo não abre portas, nem chega em lugar nenhum sem ter tido o Fim por ali antes. Já a Aceitação não vem só com o Fim, ela vem com o Começo também, mas de formas diferentes.

Porque quando o Fim chega ele deixa o espaço sinalizado pra Aceitação. Mas, a Aceitação não vem assim rápido, correndo.

A Aceitação não é instantânea no Fim como ela é no Começo, porque com o Começo a Aceitação tá ali nos fazendo sentir merecedores e unindo seus poderes com o poder eufórico do Começo.

Já com o Fim, a Aceitação não soma forças, ela fica só ali olhando, em silêncio e se manifesta só com o Tempo.

O Tempo é aquele cara que está o tempo todo ali e não damos valor sabe? Não adianta lutar o Tempo está sempre trabalhando na nossa vida e não importa o que façamos. Não vou falar muito do Tempo porque ele tá aqui e aí, ao mesmo tempo… Ele é complexo, temperamental e tão poderoso que merece uma prosa só pra ele.

Na minha vida quando o Fim passou o Tempo demorou muito pra manifestar a Aceitação. Ou talvez eu que demorei pra ver que ela estava ali…

Só sei que quando ela chegou, aí sim eu vi, na minha cara, o Começo que estava ali.

E tudo fez sentido.

O Começo estava ali o Tempo todo, depois do Fim, imediatamente manifestado. Eu não vi. Que cega!

Pra viver o Começo eu precisava abraçar de verdade a Aceitação. Não só da boca pra fora e pensando lá no fundo do coração que eu não “merecia” esse Fim.

Quando a Aceitação entra de verdade, tudo se encaixa, a roda gira e a gente encontra até a Gratidão pelo Fim.

Só com a Aceitação a gente consegue usar um poder que é só nosso: o poder de abrir novas portas!

As pessoas acham que é o Começo quem abre novas portas, mas não, esse poder é nosso.

O Começo fica ali na esquina, depois do Fim, esperando a gente abrir novas portas que vão aparecendo com o Tempo.

Não falei que o Tempo era poderoso?

Ele traz umas portas por aí no lugar daquelas que o Fim fechou e ainda deixa a gente abrir… Mas, lembra que ele é temperamental, viu? As portas não ficam ali pra sempre.

O Tempo é generoso e se encarrega de mostrar que, mesmo quando o Fim não é uma uma visita desejada e machuca nossa alma, ele, o Tempo, sempre traz a Aceitação e nos faz ver que o Começo estava o tempo todo aqui, junto com o Fim esperando a gente abrir nossas portas.

Se eu posso responder, de algum jeito, a pergunta do título é que o que acontece depois do Fim é movimento, são forças agindo e nos levando pra outro lugar, outro momento…

Quem está agindo na sua vida com você hoje? O Fim, o Tempo, a Aceitação ou o Começo?

*Esse texto nasceu da minha reflexão sobre quando perdi meu Pai e todo o processo de me despedir dele. Sempre me lembro de como minha mãe passou por esse momento sentindo cada dor e depois enfrentando suas lutas diárias. Já faz alguns anos que isso aconteceu, mas o aprendizado é forte na minha vida e me ensina como passar por esses momentos de finalização.

Todo fim chega trazendo um começo.
Mesmo sem saber ou se movimentar, quando algo acaba estamos já indo pra outro momento.
Mesmo que seja empurrado, forçado, sem vontade, depois do fim sempre vem um começo.
Precisamos entender isso com gratidão.
Mesmo no sofrimento do momento da partida, existe ali depois da esquina um lugar pra recomeçar.

Se você teve um final “voluntário” ou um fim inesperado e dolorido saiba que existe um começo para você e ele está logo ali.
Qualquer final por mais amigável e consensual que seja dói, deixa um vazio, uma vontade de ficar parada esperando a ferida fechar.
Mas, eu te digo: não fique parada no final.
Levanta chorando e sentindo a dor do fim, mas, vai atrás do seu começo.
Deixe a dor te acompanhar por um tempo e em algum momento ela se solta e você nem se lembra mais dela.
Faça coisas que te ocupem e acalmem.
Ache um novo lugar pra viver, corta o cabelo, arrisca um novo tempero na cozinha ou senta no sol um pouquinho.
É o movimento que nos renova.