0
6 In Empoderamento

Ano novo, de novo!

Coloquei a prova minha crença no poder das pequenas metas e fiz acontecer todas as 10 coisas que listei 15 dias antes do final do ano.

Em, 31 de Dezembro, eu estava me arrumando para celebrar o ano novo – de verdade – pela primeira vez desde 2017.

Passei esses aninhos sem o tal sentimento de esperança do ano novo, por força da vida ou fraqueza minha mesmo. Estava anestesiada de tanto sofrer e, por dentro, era como se estivesse sentada vendo o circo da minha vida pegar fogo, sem problema algum…

Por fora, estive mais ativa, mais metida, mais forte, dando porrada a 3×4. Por dentro eu tinha um f*da-se gigante acionado pra vida, uma sensação de tanto faz o que virá… Talvez, por isso, é que eu estivesse tão “forte” por fora.

Nada me tocava nem me fazia sentir aquele momento “uhuuuuu feliz ano novo!”.

Olha que eu sempre gostei de celebrar, mesmo pequenas coisas. Porém, eu olhava para as circunstâncias e pensava que o certo seria desejar Feliz Ano Velho, afinal, nada havia mudado e nem mudaria no dia 01 de Janeiro.

NADA mesmo, essa era minha única certeza! Quem me devia não iria pagar, o trabalho seria sempre um trabalho, a família ia seguir igualzinha, muita injustiça ia rolar impune no mundo todo, as contas vencendo, gente morrendo, filha da puta se dando bem, algumas coisas boas rolando, mas…

Errada eu não estava, viu?

Todos essess anos começaram e terminaram na vibe vida loka, com guerras novas e antigas, nada muda mesmo só com a passagem do calendário!

Mas, ok, estamos agora em 2020, e aí?

Depois de muito lutar com meu negativismo-realista eu percebi que sigo não estando errada…


Se você tem uma visão Polyana, coloridinha da vida, sorry! A verdade é que as circunstâncias serão, quiçá, cada vez mais difíceis. Especialmente, se você encara responsabilidades e dores fazendo o que tem que ser feito quando a maioria das pessoas simplesmente não o fazem.

Suas contas vão te incomodar, seu peso, suas brigas, seus defeitos. As dores de quem você ama vão te fazer impotente, algumas pessoas vão morrer, outras nascer. As injustiças vão te dar um nó imenso na garganta, o mundo vai se tornar cada vez maior e ao mesmo tempo menor.

Encarar e, dentro das minhas limitações, aceitar isso me ajudou a sair do ostracismo. De fato, VER qual era a minha REALIDADE foi LIBERTADOR.

No fundo eu sabia quais eram as minhas circunstâncias e que somente EU poderia viver nelas. Não havia nada que eu pudesse fazer para mudar o passado, muito menos o presente ferrado. A única coisa que eu posso é encarar e viver, sentindo cada momento mesmo.

Foi o que eu fiz, indo pro lado negro da força… Mas, fiz!

Não me lembro a última vez que fiz uma lista de metas/sonhos ou um plano que eu tenha me dedicado de verdade.

Desde promessas comuns como emagrecer, economizar, uma atividade nova, comprar algo. Todos nós, invariavelmente, uma vez ou mais na vida, chegamos ao final do ano não tendo feito nadica de nada do que “planejamos”…

Seja por circunstâncias que mudam sem nossa ação, morte, desemprego, encerramentos ou merdas que a gente faz mesmo. No meu caso, desde 2017, rolou tudo isso ao mesmo tempo agora!

E o que eu fiz quando tudo isso me aconteceu ao mesmo tempo agora, valendo!?

Eu vivi cada momento com minha intensidade natural, minha teimosia, minha raiva, todo ódio e rancor que um ser humano falho é capaz de sentir e um pouquinho mais porque eu sou ótima em ser uma má pessoa… Vivi com a força transformadora de quem desfaz um mundo com a mesma decisão com que o constrói.

Muito fiz, corri, lutei, mas todas as minhas circunstâncias mudaram de novo em Julho de 2019. Foi a gota d’água, pensei! Mas, prazer, sou Joseph Climber?!

 

As dívidas que me sobraram após um, desnecessariamente, longo divórcio se acumulavam na minha mão sem que ninguém que deveria ser parte da solução se importasse. Lidei sozinha com crises de pânico e com a depressão que eu quase não percebi estar.

Bem aí, no meio de toda as merdas, que eu comecei a sair da sensação de estar anestesiada pela raiva, Senti tanta dor que eu pensei que nunca mais sentiria, senti tudo de novo, mil vezes pior.

Mas, enquanto buscava (sem saber) ajuda eu me coloquei como voluntária para ouvir pessoas que estavam tão deprimidas como eu. Fui estudar psicologia, fui ler sobre religião, karma, fui brigar com Deus. Me enfiei dentro da casa da minha mãe para deixar toda a dor passar sem que eu a piorasse e me machucasse.

Meu mundo se abriu denso, mas se abriu. As nuvens carregadas na minha cabeça já não me paralisavam… Paguei por ajuda, recebi a bondade de estranhos, voltei a acreditar que de alguma forma ainda havia vidam ainda havia o Bempor aí.

Era um tipo de ano novo fora do tempo, em meio a várias perdas e na minha pior versão.

Então eu tomei a decisão mais fracassada da vida adulta, mas a melhor decisão nesse momento. Saí da minha casa e voltei a morar com a minha mãe, o maior passo para trás que eu não escolhi, mas precisei dar na vida.

Se você achou que teria um milagre com algo de extremo sucesso, isso aqui não é um filme da Disney, é a vida real!

Eu voltei pra dormir num sofá, me desfiz de todos os meus bens materiais que haviam restado, estava sem trabalhar, tomei um calote grande, não resolvi nem 5% dos problemas que ficaram no meu colo mas, sobrevivi e segui.

Chegou 2020 e eu fiz novas pequenas metas, baby steps ainda com medo.

Eu sei, só agora, que a coisa mais restauradora que fiz nesse tempo de morte e ressurreição foi ajudar o outro com a minha dor. Ver e ouvir pessoas sofrendo por coisas maiores ou menores. Estar ali pro outro me salvou.

Ainda na intenção de ajudar decidi falar no Instagram das minhas pequenas e vergonhosas metas de 2020. Aí o Fernando Pinheiro, me cedeu um e-book para compartilhar com quem me segue no Instagram.

Recomendo que leiam o “Inabalável, atingindo todas as metas” tem excelentes ferramentas.

Eu queria fazer mais por quem me segue ali nas redes sociais, queria sair do mundo virtual e ajudar efetivamente. Foi por isso que criei um grupo para compartilhar de perto a minha evolução (ou não) com 3 seguidoras que se interessaram pelas minhas metas.

No grupo temos dividido histórias e experimentado curas tão profundas que eu nem sei como isso acontece. Na verdade, eu sei.

Minha vida hoje está arrumadinha, linda e restaurada? É por isso que acho que posso ajudar alguém? Óbvio que não! Mas, eu tô viva, não estou? Só me resta me colocar a serviço onde eu estiver!

Foi vivendo o dia a dia, fazendo as tarefas mais básicas que a vida voltou às minhas narinas. Desde fazer a cama, organizar minha bolsa com atenção a realidade das moedinhas que tinha. Até estar presente de verdade no voluntariado dando amor e atenção a quem precisasse, mesmo quando era eu quem precisava de ouvido e amor.

Fui construindo um ano novo me reconstruindo de novo.

Comecei buscando uma fuga, queria movimentar a vida e jogar a dor pra fora. Até que passei a não sentir mais tanta vergonha do que me aconteceu, sei que tudo que não estava nos meus planos é parte de algo muito maior!

Por isso, que desejo nesse e tantos anos quanto nós vivermos poder colocar a vida em movimento fazendo o bem e com o olhar voltado para a realidade como ela é.

Afinal, “o futuro é uma quantidade infinita de incertezas” – Marcelo Rubens Paiva em Feliz Ano Velho

É isso que nos fortalece e nos dá mais do que novos anos, uma nova vida!

“conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” – João 8:32.

You Might Also Like

6 Comments

  • Reply
    Carolina Leal
    fevereiro 3, 2020 at 6:19 am

    Que texto intenso amiga! Você é tão forte, mesmo achando que não, que nem sei o que dizer!

    Só tenho a certeza que tudo dará certo e ficará bem! ❤️

    • Reply
      Lis
      fevereiro 4, 2020 at 9:49 am

      Sua linda <3 obrigada por ser sempre presente nesses anos todos!

  • Reply
    Edu
    fevereiro 3, 2020 at 8:38 pm

    Lissss,

    Eu conheço a sua história, ouso a dizer que conheço boa parte das cicatrizes que carrega.

    Decidi comentar porque nossas histórias de certa forma são parecidas.
    Não moro com meus pais por opção, e sim porque assim como você, precisei abrir mão e assumir dívidas que não eram só minhas.

    Sempre tem um(a) FDP em nossa vida que caga com tudo e nos deixa na mão.
    Até hoje tenho cuidado com lobos em pele de cordeiro. Ainda bem que desenvolvi um faro apurado .

    Mas passar pelo que passamos, nos transformou profundamente. Para melhor ou pior foi responsabilidade nossa, mas mudamos. E isso de uma maneira estranha é BOM.

    Não estou comparando desgraças é só um fato. Faz um tempo que não comemoro um ano novo, da forma como acho que tem que ser comemorado.

    Não comemoro um aniversário da forma devida.

    Por fatos muito similares aos seus. Sendo julgado pelos outros, e ouvindo comentários maldosos do tipo: mulheres fujam de homens de 30 anos que ainda moram com os pais .

    Mas ninguém sabe que foi uma fdp que arrancou tudo o que eu lutei pra ter enfim, assim como vc, precisei dar um passo para trás, voltar a morar com os meus pais e começar do 0.

    Fiquei mal, engordei, desenvolvi hábitos ruins, enfim no final de 2018 eu tinha 2 alternativas. Me reerguer ou caixão e vela preta.

    Porque contei tudo isso ?

    Porque eu me reergui da mesma forma que vc está fazendo agora.
    Porque mesmo com o peito rasgado, com dor e sozinho, decidi que eu vou traçar meu destino e fdp nenhum verá eu de joelhos.

    E tenho muito orgulho de você estar conseguindo fazer o mesmo. Um passo de cada vez, sem afobação. “Tipo o vídeo do VEM TRANQUILO” haha
    Se olha no espelho e veja a guria de fibra que tu é, tu é casca grossa.

    Como eu disse para você por whats, vc terá notícias promissoras ainda esse ano.
    Assunto esse que não cabe deixar público né!? Bom senso.. haha

    • Reply
      Lis
      fevereiro 4, 2020 at 9:52 am

      Edu, a gente é casca grossa!
      Realmente jamais desejaria que nenhum de nós (nenhuma pessoa boa) passasse pelo que passamos. Mas, nos encontramos mais fortes no final de tudo isso.
      Você é o homem mais generoso que conheço, mais amigo, mais leal! Tenho sorte de ser sua amiga há tantos anos!

  • Reply
    Edu
    fevereiro 3, 2020 at 9:55 pm

    Por que**
    affe uns errinhos de português e concordância tristes aí no meu comentário ….
    minha mania de escrever fazendo outras coisas, só me complica. :/ haha já era, não dá pra editar :/

    • Reply
      Lis
      fevereiro 4, 2020 at 9:53 am

      HAHHAHAHA e eu que fui ler o meu texto e tô aqui corrigindo!
      Meu TOC com gramática me mataaaaa

    Let's talk!