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Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley

A ideia de ler uma distopia não foi minha, mas só pude concordar que o tempo que vivemos merece uma dose de viagem e reflexão.

Admirável Mundo Novo estava na minha lista de interesses há alguns anos, mas a preguiça gente, a preguiça…

Leremos a edição da Biblioteca Azul, que você pode comprar clicando aqui.

Quando comecei a pensar sobre o que falar nessa introdução, me veio a música Utopia, do Padre Zezinho na cabeça. Uma música católica muito antiga que desde criancinha eu choro ouvindo.

Melodia simples, que fala de valores antigos e que são o oposto do livro título desse post. A distopia da distopia.

Utopia no grego significa lugar que não existe, é sempre um lugar bom, símbolo de uma esperança bondosa de algum lugar e realidades melhores. Magicamente melhores… Então, porquê uma distopia? Nosso tempo já é trágico suficiente no mundo todo e nem vou dizer das merdas na minha vida pessoal…

Pelo mesmo motivo que os Alemães mantém museus e os traços do holocausto até hoje.

Para entender, sentir, se envergonhar e não repetir!

Distopias são espelhos negros, versões corrompidas de futuros que batem na nossa porta.

O Poço, Black Mirror, Mr. Robot, The Handmade’s Tale, Altered Carbon, 3%, 100, Jogos Vorazes, Mad Max e Maze Runner. São exemplos de distopias perfeitas para nos dar um soco no estômago – se prestarmos atenção.

Constantemente fugimos da realidade através dos livros, filmes e séries, certo? Mas, se uma das funções da arte é humanizar o homem. As vezes, tudo que um ser humano precisa é tomar um choque de realidade, sim?

Pensei nesses dias, será que o COVID está nos ensinando algumas lições sobre utopia e distopia? Talvez como em The Walking Dead…

De qualquer forma, ler uma obra distópica passa longe de me trazer esperança, mas hoje, por coincidência, uma inspiração numa sala de espera me fez escrever sobre esperança.

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Quando a esperança é infinita todo contratempo é finito! A frase na imagem é de Martin Luther King Jr. e em tradução livre é: “Devemos aceitar o dissabor finito, mas nunca devemos perder a esperança infinita!”. A tormenta finita é uma inevitabilidade ocasional no plano da vida, nossa liberdade de escolha consiste em "formar" a esperança nesse plano, escolhendo-a como única possibilidade no campo do infinito. As expectativas que associamos ao nosso plano (não o da vida) são uma inevitabilidade da nossa capacidade de raciocinar, acontece e é aceitável. No desenrolar da vida, não podemos evitar desafios de toda sorte, nem estar completamente livres de expectativas que nos vinculem a certas decepções e até nos prendem ao medo. Mas, as inestimáveis ​​variedades no infinito campo de possibilidade florescem eternamente; Estão sempre, no campo onde fé e resiliência valem mais do que o racionar puro e simples. Podemos pesquisar nesse campo de possibilidades e escolher novamente, novamente e novamente como vamos encarar os reveses inevitáveis. Não há decepção no infinito, apenas a esperança eterna de que nossas escolhas e dores florescerão em algo melhor e de que nunca ficaremos sem opções e nunca perderemos a capacidade de escolher. Viktor Frankl diz que: “tudo pode ser tirado de uma pessoa, exceto uma coisa: a liberdade de escolher sua atitude em qualquer circunstância da vida.”. Eu acredito nisso… Fácil não é, mas a esperança é a última que morre, sempre!

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Minha mãe me disse uma vez que tem gente na vida que só vai dar valor ao que é bom, depois de sentir o mal comendo sua carne.

Se, uma vez que a função da utopia é como disse a cientista política Judith Shklar: “servir de referência para o real e não ser realidade“. A função da distopia fica, para mim, em mostrar do que somos capazes na mais cruel realidade

Parece pessimista? Mas, não é.

Chegamos no livro, onde o Admirável Mundo Novo nasce de um sistema científico de castas. Não há vontade livre e impera a estabilidade social. Há produção em série do ser humano, toda a comunidade é padronizada em grupos uniformes, inquestionável. Usa-se uma droga psicotrópica especial, o soma (mistura de cocaína, heroína e álcool). Essa droga é indispensável para a não expressão de emoções e para se ter a sensação imediata de bem-estar.

Isso te lembra remotamente algo? Talvez que fazemos manipulação genética, buscamos a todo custo nos encaixar em padrões e ter prazer imediato, sem sentir dor alguma. Talvez?

Será que esquecemos nosso papel de ser humanos e nos entregamos, dia após dia, para o caminho que vai direto para a realização da distopia?

Coloquei Utopia para tocar enquanto escrevia…

Ao ouvir: “faltava tudo, mas a gente nem ligava o importante não faltava: seu sorriso, seu olhar…”. Realmente faltava tudo e eu chorava não pela comida que não tinha em casa. Mas, por saber que mesmo naquela realidade tão dura, eu tinha que agradecer pelo mais importante.*

Foi assim, no aleatório, seguindo as músicas meus pensamentos falaram mais alto do que eu poderia controlar. Pensei no hoje, eu adulta, a coisa tá feia, tudo dando errado, a vida fora dos trilhos, eu culpo a quem?

Quem me determinou estar nesta ou naquela família? Não tem uma seleção genética nessa vida, seria mais fácil se tivesse? Pra mim, ainda é tão natural seguir o caminho da rebeldia, da raiva, da violência. Eu sempre digo que prefiro máquinas que humanos, não ter vínculos é não sofrer.

Como pode me amar, Deus? Sabendo que eu Te culparia pelo que não foi como eu queria… Como pode me amar assim?

Mas, chega uma hora que cansa e quero voltar pra um lugar chamado familiar, estar em casa. Quem sabe, um dia, depois de muito questionar a humanidade não chegue a conclusão de que “se eu passar pelo vale acharei conforto em Teu amor“?

“Chamam a isso de utopia, eu a isso chamo paz.”

*Eu me envergonho todo dia por ser uma péssima filha. Minha mãe é e sempre foi a personificação da utopia de mulher que eu quero ser. Além disso, minha mãe é uma das maiores provas do amor de Deus na minha vida.

Como material complementar do clube, eu recomendo:

Artigos:

Música:

Brave New World, álbum do Iron Maiden, a música com o mesmo nome, reparem na letra.

Série de TV:

Pesquisem sobre a série Brave New World da mesma rede que produziu Mr. Robot e Altered Carbon, a imagem capa desse post é da série da rede de TV USA.

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